O blog conversou com pais que já foram com seus filhos ao evento; nova edição da Parada será realizada neste domingo, 3 

A Parada do Orgulho LGBT é um momento de festa, mas também de reforçar o respeito à diversidade. Além de atrair um grande contingente de pessoas LGBTs, o evento reúne também o público hetero. E famílias aproveitam para levar as crianças para, em meio a música, fantasias e muito colorido, conversar com elas justamente sobre diversidade e respeito.

Para a 22.ª edição da Parada, que será realizada neste domingo, 3, a partir das 12h, na Avenida Paulista, sob o slogan ‘Poder para LGBTI+, Nosso Voto, Nossa Voz’, a organização espera reunir 3 milhões de pessoas. Entre as atrações, estão os shows de Pabllo Vittar e Preta Gil. A madrinha será Fernanda Lima. “Você nunca sabe se vai ter um filho gay, cisgenero, hetero, branco, preto, tatuado. As pessoas têm que respeitar a diversidade e o jeito de viver. A Parada é muito legal, porque é um momento de visibilidade. A família chegando, os bebês, os heteros olhando, mostra o respeito, se aprende o respeito”, afirma o diretor artístico da Parada, Heitor Werneck.

No país em que mais se mata LGBTs no mundo, Werneck diz que a importância de se realizar a Parada no Brasil é uma resposta a isso. “Como é que a gente pode ser o país que tem a maior Parada Gay do mundo, e a maior Parada Gay do mundo está no país em que mais se mata travestis, gays, negros e mulheres. A importância da Parada é justamente essa: conscientizar as pessoas e dar visibilidade.”

O blog ouviu famílias que frequentam a Parada há anos e já mostram para os filhos, desde pequenos, a importância de se respeitar as diferenças e tratá-las com naturalidade:

 

Guto e Raquel com o filho Leo, na Parada do ano passado. Foto: Arquivo pessoal

O casal Raquel Silvaroli e Guto Costa Rica levou o filho Leo pela primeira vez à Parada no ano passado. Então com 4 anos, Leo não fez nenhuma pergunta. Estava muito mais interessado nas fantasias que as pessoas usavam, principalmente as de super-heróis.

“Quanto à questão LGBT, ele já fez alguns comentários, em outras situações, do tipo ‘um menino pode namorar outro menino e uma menina pode namorar outra menina’, ou ‘aquele menino tem dois pais’… E a gente trata de maneira natural, sem ficar dando muita justificativa, simplesmente as pessoas são assim, têm liberdade de escolher o que querem e pronto”, conta Raquel.

Segundo Guto, para eles, “a Parada é um evento divertido, como outro qualquer”. “Além de sermos a favor da causa em si, achamos que é uma manifestação onde as pessoas estão alegres, passam boa energia e é isso que buscamos nessas festas populares para ir em família”, diz.

 

Mulher-maravilha com Adriana e seu filho Felipe, na Parada do ano passado. Foto: Arquivo pessoal

Filho da comissária de voo Adriana Mariani, Felipe também se encantou pelos super-heróis que viu na Parada no ano passado. Então com quase 6 anos, ele falou: “Olha, mamãe! Vamos tirar foto com ela, parece da nossa família”.

Na ocasião, ele e Adriana estavam também com roupas de super-heróis. Adriana conta que aquela não tinha sido a primeira vez que ela levara o filho à Parada. A primeira foi quando ele ainda tinha 1 ano, e ainda andava no carrinho.

“Nessa segunda vez, não conversei com ele antes sobre o que ia acontecer, justamente para ver se ele percebia alguma coisa diferente. Ele só achou muito legal, gostava das pessoas fantasiadas, tudo bonito. Uma hora ou outra, ele perguntava se era menino ou menina. Eu dizia: o que você acha que é? Eu respondia, sem sermão, sem muito argumento, bem natural”, lembra Adriana. “É legal levar, porque acredito que a gente ensine os nossos filhos pelo exemplo, se quero que ele não tenha preconceito, que ele entenda que todo mundo é igual, respeite a opinião e a forma de ser dos outros.”

 

Juliana com o filho Martin. Foto: Arquivo pessoal

A jornalista e maquiadora Juliana Zaroni de Araújo também levou seu filho Martin, hoje com 10 anos, à Parada no ano passado. “Sou uma mãe que não se furta a nenhuma pergunta, isso desde sempre. Acho que, por conta dessa minha postura, a gente foi construindo uma relação de muita confiança. Então, tudo o que é relacionado a essas questões, aliás a todas, ele sempre me pergunta.”

E não foi diferente na Parada no ano passado. “Ele nunca tinha vivenciado isso, e, na Parada, ele viu tudo aquilo e foi tranquilo. Na verdade, o que mais incomodou ele foi a quantidade de gente, porque estava muito cheio, não dá para andar, ficamos um pouco e acabamos indo embora, porque estava ruim de ficar com criança, tinha muita gente, mas acho que é uma expêriencia muito boa.”

Aliás, assim como Raquel, Guto e Adriana, Juliana ressalta que é importante chegar cedo quando se vai à Parada com criança – período em que o evento ainda é tranquilo. E faz outra ponderação: “Acho que os pais que resolverem fazer esse programa têm que estar muito bem preparados para as perguntas que certamente vão vir”, aconselha. “A criança também tem que ter maturidade para poder digerir tudo aquilo que vai ver. Acho que vai do bom senso dos pais.”

 

Marcelo com a mulher Mayra e as filhas Mariana, Luiza e Alice. Foto: Arquivo pessoal

O ilustrador Marcelo Malusco também gosta de levar suas três filhas ao evento: Mariana, de 17 anos, de seu primeiro casamento, e Luiza, de 10, e Alice, de 12, que teve com sua mulher, a publicitária Mayra Ebenau Maia. “Já fui a duas edições com elas”, diz Malusco. “A gente sempre viu a Parada como algo positivo, trocamos ideia.” Morando atualmente na Granja Viana, eles vão para São Paulo neste domingo para aproveitar a Paulista fechada e, por tabela, a nova edição da Parada.

A diversidade, no entanto, já faz parte do dia a dia delas. “A gente tem amigos gays. Elas já estão acostumadas. O discurso é: todo mundo é igual, gosta de quem quiser. A gente sempre conversa com elas”, diz ele.

Para Mayra, a Parada é dia de celebrar as diferenças. “O evento é diversão, mas é legal para a gente falar a respeito de outras coisas e mostrar que é natural”, afirma. “A gente gosta de fazer coisas na cidade, de vivenciar a cidade e as diferentes pessoas que existem.”

 

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