'Você não pode querer fazer de tudo um pouco com TV aberta', diz Tony Ramos

Redação - O Estado de S.Paulo

Ator pediu 'bom senso' em temas abordados em cenas da teledramaturgia brasileira

Tony Ramos

Tony Ramos Foto: Reprodução de 'Conversa com Bial' (2018) / TV Globo

O ator Tony Ramos falou a respeito de sua visão sobre a importância que as novelas brasileiras têm em tratar de assuntos importantes para a sociedade brasileira em entrevista ao Conversa com Bial da noite de quarta-feira, 7. 

"Acho que a televisão tem compromissos com o público que nos assiste. Você não pode também querer fazer de tudo um pouco com TV aberta. Pra isso existe o cinema, pra isso existem horários específicos", começou.

"Acho que você tem que falar sobre tudo, mostrar tudo, sim. Discutir o que você quiser. Pra isso a telenovela, a dramaturgia, é muito bem-vinda. Você discutir o mal, o bem, o que não é conveniente, a droga, isso, aquilo. Tem que discutir tudo. A dramaturgia é ótima pra isso."

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Porém, o ator ressalta que há alguns limites: "Agora, não precisa você fazer amor de verdade, ou então ficar nu frontal às dez e meia da noite. Você tem que ter um certo bom senso nisso."

"Você não pode ter nenhum tipo de autocensura, muito menos uma censura de que tudo é pecado, que nada pode ser mostrado. Tem que tomar cuidado com isso, porque senão você não discute a sociedade contemporânea, até o que é certo e errado", concluiu.

Tony Ramos como Márcio Ayala em 'O Astro', em 1977, contracenando com Dionísio Azevedo (Salomão Hayala).

Tony Ramos como Márcio Ayala em 'O Astro', em 1977, contracenando com Dionísio Azevedo (Salomão Hayala). Foto: Reprodução de 'O Astro' (1977) / Globo

Primeiro nu masculino da TV

Tony também relembrou um trecho de sua atuação em O Astro, de 1977, no que é considerado a primeira cena com um corpo nu masculino da TV brasileira.

"Nu em pelo! E bota pelo nisso!", brincou Pedro Bial após a exibição da cena. Tony respondeu de forma bem-humorada: "Eu não tenho problema com pelo, não. Eu vendi muito pro Casseta e Planeta."

"[A reação do público] foi muito bonita. Ele [personagem] renunciava ao dinheiro do pai, não concordava como o pai gerenciava os negócios. Renunciava àquilo tudo e saía", relembrou.