'Os Trapalhões': relembre programa que chegou ao fim há 25 anos

André Carlos Zorzi - O Estado de S.Paulo

Didi, Dedé, Mussum e Zacarias protagonizaram clássico do humor nacional exibido entre 1974 e 1995

Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, os 'Trapalhões', em 1979 

Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, os 'Trapalhões', em 1979  Foto: Arquivo / Estadão

Os Trapalhões, clássico programa de humor protagonizado pelo quarteto Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, chegou ao fim no Brasil há 25 anos, em 27 de agosto de 1995. 

Em seu último ano no ar, já abalado pela morte de dois de seus membros nos anos anteriores, a maior parte do programa consistia em reprises de quadros antigos, com Renato Aragão e Dedé Santana como apresentadores.

"Estávamos há 26 anos gravando sem parar", comentava Renato ao Estadão, em março de 1995. "Os Trapalhões serão sempre os quatro", sacramentava, afastando a possibilidade de substituições.

Origem dos Trapalhões

Renato Aragão já vinha fazendo sucesso há algumas décadas em programas que serviriam de inspiração mais tarde, como Os Adoráveis Trapalhões, ao lado de Ted Boy Marino, Ivon Curi e Wanderley Cardoso, que surgiu em 1966, na TV Excelsior.

Anos depois, viria Os Insociáveis, na Record. O nome do programa foi uma exigência de Paulo Machado de Carvalho, que não queria a repetição do termo "Trapalhões", para não fazer referência à atração anterior de Didi.

VEJA TAMBÉM: Piadas 'politicamente incorretas' dos Trapalhões que não seriam aceitas hoje

Wilton Junior/Estadão
Ver Galeria 10

10 imagens

Foi na época de Os Insociáveis que Mussum foi convidado por Didi e Dedé, formando um trio. A proposta foi feita de forma que o artista, que integrava o grupo Originais do Samba, não precisasse parar sua carreira musical.

Em 1974, veio a estreia de Os Trapalhões na TV Tupi. Desta vez, o escolhido para se tornar o quatro trapalhão foi Zacarias, que então fazia sucesso como o garçom Moranguinho no Café Sem Concerto.

O programa fez sucesso e chegou a rivalizar com o Fantástico em audiência. Em março de 1977, com salários atrasados na Tupi, o elenco migrou para a Globo, onde ficou no ar por cerca de 18 anos.

Didi, Dedé, Mussum e Zacarias em cena do filme 'Os Trapalhões na Serra Pelada', em 1982 

Didi, Dedé, Mussum e Zacarias em cena do filme 'Os Trapalhões na Serra Pelada', em 1982  Foto: Carlos Chicarino / Estadão

Ao longo das décadas, os filmes estrelados por Didi, Dedé, Mussum e Zacarias também foram sucesso de bilheteria, como Os Trapalhões nas Minas do Rei Ralomão, Os Trapalhões na Serra Pelada e Os Trapalhões e o Rei do Futebol, com participação de Pelé.

O fim dos Trapalhões

A morte de Mauro Faccio Gonçalves, o Zacarias, em 18 de março de 1990, abalou o grupo. O ator tinha 56 anos e estava afastado das gravações por orientação médica, com expectativa de retorno em abril daquele ano.

Mussum e Zacarias em dezembro de 1988 

Mussum e Zacarias em dezembro de 1988  Foto: Arquivo / Estadão

Após o luto, Renato Aragão, Dedé Santana e Mussum voltaram a fazer Os Trapalhões, com diversas mudanças na atração. 

O trio continuou as gravações até o programa de 26 de dezembro de 1993, tirando um período 'sabático' em seguida. Meses depois, em 29 de julho de 1994, morreu o humorista Antônio Carlos Bernardo Gomes, mais conhecido como Mussum.

Em 1995, a dupla Didi e Dedé retornou, apresentando a reexibição de quadros antigos. Ainda houve tentativa de novos quadros, como o Plantão Trapalhão, com a atriz Alessandra Aguiar, e versões humorísticas de clássicos infantis, mas, pouco depois, o programa saiu do ar em definitivo.

Os Trapalhões em desfile da Beija-Flor no carnaval de 1992, já sem Zacarias 

Os Trapalhões em desfile da Beija-Flor no carnaval de 1992, já sem Zacarias  Foto: Carlão Limeira / Estadão

Ao longo de sua trajetória, Os Trapalhões também contaram com outros nomes importantes, como Roberto Guilherme (o Sargento Pincel), Tião Macalé e Carlos Alberto de Nóbrega.

Entre 1995 e 1998, Renato Aragão e Dedé Santana chegaram a estrelar uma versão de Os Trapalhões na TV SIC, de Portugal. Os artistas viajavam para a Europa a cada dois ou três meses para realizar as gravações enquanto viviam no Brasil.

Pós-Trapalhões

Em entrevista ao Estadão em junho de 1996, Renato Aragão cogitava não renovar seu contrato com a Globo. À época, só realizava especiais, sem um programa próprio. 

"Vou para onde tenha melhores condições de trabalho e possa experimentar alguma novidade", afirmava, sabendo que seu contrato iria apenas até dezembro daquele ano. "De repente, a gente vira móveis e utensílios e isso está me incomodando", reclamava.

"Cansei de de dar ideias para depois ser excluído quando iam ao ar. Insisti em fazer algo tipo uma Grande Família ou Família Trapo e eles fizeram o Sai de Baixo. Não falo mais nada antes do tempo", desabafava o humorista.

Sobre gravar o piloto de um quadro de cinco minutos para o Fantástico, era sincero: "Estou empurrando isso com a barriga. Primeiro vou realizar os especiais que agendaram para mim porque não posso servir a dois senhores ao mesmo tempo".

VEJA TAMBÉM: Como estão os artistas que marcaram A Turma do Didi

Globo / Divulgação
Ver Galeria 26

26 imagens

Algum tempo depois, em 1998, Renato Aragão voltaria a ter seu programa próprio na emissora, a Turma do Didi, aos domingos. Mesmo sem a repercussão dos tempos de Os Trapalhões, o humorístico durou bastante tempo no ar e só acabou em 2010.

Em 30 de junho de 2020, após 44 anos na emissora, o contrato de Renato Aragão chegou ao fim. Desde então, o humorista já deu declarações cogitando participar de humorísticos de outras emissoras, como A Praça É Nossa, do SBT.

Em 2017, Os Trapalhões ganhou um remake na Globo com Lucas Veloso, Bruno Gissoni, Mumuzinho e Gui Santana, interpretando Didico, Dedeco, Mussa e Zaca, referências aos humoristas originais. O resultado, porém, não agradou ao público e o programa não durou muito.

Gui Santana, Dedé Santana, Lucas Veloso, Renato Aragão, Mumuzinho e Bruno Gissoni em evento de lançamento da nova versão de 'Os Trapalhões' 

Gui Santana, Dedé Santana, Lucas Veloso, Renato Aragão, Mumuzinho e Bruno Gissoni em evento de lançamento da nova versão de 'Os Trapalhões'  Foto: Wilton Junior / Estadão