'O Negócio' estreia nos EUA: 'prova que sabemos fazer séries de qualidade', diz Michelle Batista

Gabriel Perline - O Estado de S.Paulo

Série brasileira que mostra o trabalho de marketing de um trio de prostitutas de luxo ganha força internacional

Foto: Ricardo Penna/Divulgação

Em 2015, o BuzzFeed dos Estados Unidos fez uma lista com 26 séries não americanas que todas as pessoas deveriam acompanhar. A única brasileira era O Negócio. Foi o que bastou para a HBO da terra do Tio Sam decidir incluir a história das três prostitutas marketeiras em sua programação. A trama estreou nesta sexta-feira, 12, por lá.

"Tem um gosto especial, porque estamos acostumados a consumir séries americanas", disse Michelle Batista, intérprete de Magali, uma das protagonistas da trama. "Isso valoriza muito o produto brasileiro, porque nós mostramos para o mundo que sabemos fazer séries de qualidade e que sabemos fazer produtos internacionais. Sinto um orgulho imenso em fazer parte disso."

O Negócio é o maior produto da HBO Brasil. Única série nacional a ter três temporadas - a quarta está em produção -, ela já é exibida em países latino-americanos, onde a estreia costuma ser simultânea com o nosso País, e também na Europa. No mercado informal (pirataria), outros territórios também se encantaram com a trama. "Uma vez alguém me mandou uma mensagem dizendo que estava assistindo à série com legenda em chinês. Não sei se passa na China, ou se alguém fez de uma maneira informal, mas fiquei triste por não entender nada do que estava escrito (risos)", comentou Michelle.

Como você está se sentindo agora que está virando uma atriz internacional?

É muito louco, porque a gente não tem essa medida aqui. Só quando a gente viaja para fora que as pessoas falam para nós. É muito legal, não imaginamos que a série teria essa dimensão quando começamos a fazer, embora existisse uma torcida da nossa parte. Em momento nenhum pensei que fosse fazer sucesso lá fora como faz aqui. E claro que fazer sucesso nos Estados Unidos tem um gosto especial, porque estamos acostumados a consumir séries americanas. A gente participar de uma série brasileira que está sendo consumida pelos americanos tem um sabor especial. Isso valoriza muito o produto brasileiro, porque nós mostramos para o mundo que sabemos fazer série de qualidade e que sabemos fazer produtos internacionais. Sinto um orgulho imenso em fazer parte disso.

A série já tinha uma força no mercado internacional latino e tem sido exibida na Europa...

A série sai em muitos países e a sensação que eu tenho é que em cada temporada isso só vai aumentar. É muito interessante, como atriz, ter o trabalho divulgado em tantos lugares. O legal é que O Negócio poderia se passar em qualquer grande metrópole, como Tóquio ou Nova York. É uma história de mulheres livres, bem-sucedidas, seguras, que sabem o que querem da vida e não têm medo de julgamento. É universal.

São mulheres que não fazem apologia ao feminismo, mas são bastante feministas, concorda? 

São empresárias, empreendedoras, sem perder a feminilidade. Elas não precisam ter uma imagem masculina para demonstrar poder e sucesso.

E essa politização sutil que existe entre as personagens, você se identifica?

A série não levanta nenhuma bandeira e não quer mudar o jeito que as pessoas pensam. Mas eu concordo com elas [as personagens], as mulheres têm o direito de escolher sem julgamentos e fazer o que quiserem com seus corpos. O corpo é nosso e temos o direito de fazer o que quisermos. Eu, Michelle, concordo muito. Acho que as mulheres têm que tomar a frente, as decisões e as rédeas da própria vida.

Rafaela Mandelli, Juliana Schalch e Michelle Batista protagonizam a série 'O Negócio'

Rafaela Mandelli, Juliana Schalch e Michelle Batista protagonizam a série 'O Negócio' Foto: Divulgação/HBO

Tem um detalhe curioso em seu currículo: você atuou em muitas séries, mas fez pouquíssimas novelas, o oposto do tradicional no mercado brasileiro. Este tipo de narrativa, para você, é mais interessante que a novela?

Isso não foi escolhido por mim, foi algo que aconteceu naturalmente. Nunca fiz uma novela, só alguns seriados na Globo. Em Saramandaia foi só uma participação especial. Tenho uma irmã, que também é atriz, e ela sempre fez novelas. Parece até que a gente combinou, ela faz novelas e eu séries. Aconteceu (risos). 

Com O Negócio você tem a oportunidade de revisitar a Magali. Voltar a interpretá-la após se dedicar a outros personagens é confuso?

É muito legal, porque a gente faz a temporada, e na temporada seguinte a gente dá algumas opiniões de como as personagens podem evoluir. Porque os personagens também evoluem, mudam de ideia, opinião, namorado, assim como a gente. É muito legal ver uma temporada em que a personagem aparece mais doidona, aí na  outra ela vem mais pé no chão, e na outra ela descamba de novo. E por ser uma obra fechada, você já sabe no primeiro episódio o que vai acontecer no no último. Não é como novela, uma obra aberta que o personagem pode começar de um jeito e você não sabe para onde vai.

Como é a abordagem dos fãs internacionais?

As redes sociais são os melhores lugares para ter as respostas dos fãs, porque de lá vêm fãs de vários lugares do mundo, onde eu nem imaginava que passava a série.

E qual é o lugar mais inusitado que você descobriu ter fãs?

Uma vez alguém me mandou uma mensagem dizendo que estava vendo com legenda em chinês. Não sei se passa na China, ou se alguém fez de uma maneira informal, mas fiquei triste por não entender nada do que estava escrito (risos). Meu Deus! É muito bizarro, mas muito incrível!