'Nós temos um bom ritmo juntos', diz Jonah Hill sobre trabalhar com Emma Stone em 'Maniac'

Redação - O Estado de S.Paulo

Nova série da Netflix, cuja trama é um experimento farmacêutico que tem resultados inesperados, estreia nesta sexta-feira, 21

Emma Stone e Jonah Hill em cena de 'Maniac', série da Netflix. 

Emma Stone e Jonah Hill em cena de 'Maniac', série da Netflix.  Foto: Michele K. Short/Netflix/Divulgação

Nesta sexta-feira, 21, estreia na Netflix a série Maniac, estrelada por Emma Stone e Jonah Hill. A trama se passa em um mundo muito semelhante ao atual, no qual Annie Landsberg e Owen milgrim, que não se conhecem previamente, chegam à ultima etapa de um experimento farmacêutico misterioso, cada um por seus próprios motivos. 

Enquanto Annie está infeliz e com dificuldades de se relacionar com sua mãe e sua irmã, Owen é um jovem esquizofrênico de uma família muito rica de Nova York. No experimento, os dois descobrem que têm em comum o fato de que suas vidas não deram certo e têm a esperança de resolver qualquer questão psicológica com um tratamento novo e radical. 

O tratamento consiste na ingestão de uma série de pílulas desenvolvidas pelo doutor James Mantleray, interpretado por Justin Theroux. Além de Annie e Owen, há outros dez desconhecidos fazendo o tratamento nas instalações da Neberdine Farmacêutica e Biotecnologia. Entretanto, o tratamento não ocorre como o esperado. 

Em entrevista, Jonah Hill conta um pouco mais sobre seu personagem, Owen, o universo em que a série se passa e como foi trabalhar com o diretor Cary Joji Fukunaga.

Confira abaixo:

O que te despertou interesse em Maniac?

Jonah Hill: Eu estava sentado em casa e Emma me ligou me meu celular e ela disse: 'Eu estou com Cary, podemos ir aí?'. Eles estavam animadas no telefone. Eles vieram e Emma disse que nós três iríamos fazer essa série juntos. E eu fiquei, tipo, 'isso é ótimo!'. Eu tenho um respeito enorme pelo trabalho de Cary e Emma e eu somos amigos há 11 anos e nós trabalhamos juntos quando nós éramos jovens em Super Bad e sempre tivemos uma amizade ótima. Eu acho que foi muito algo de eu querer passar mais tempo com alguém em que eu realmente confio, e ter Cary no comando para fazer algo de qualidade.

 

Conte-me sobre seu personagem, o Owen.

JH: Owen é depressivo e esquizofrênico. Eu interpeto personagens diferentes, mas ele é a base de todos eles, então mesmo que um seja super otimista ou o que for, ele ainda está nesse personagem. Mas é definitivamente uma das experiências de atuação mais desafiadoras que já tive.

 

O que leva Owen até Neberdine?

JH: Owen é levado até Neberdine porque ele vem de uma família rica pela qual ele não tem respeito nenhum enquanto todos os seus irmãos estão meio que aproveitando os privilégios: trabalham para o pai, recebem heranças e Owen parece perdido e realmente não quer aceitar esses papéis que lhe parecem obrigatórios. Neberdine é esse tipo de mundo futuro onde há todas essas oportunidades estranhas de ganhar dinheiro, e isso parece ser o melhor para Owen.

Em 'Maniac', série da Netflix, 12 pessoas se submetem a um experimento farmacêutico que promete solucionar questões psicológicas, mas os resultados são inesperados. 

Em 'Maniac', série da Netflix, 12 pessoas se submetem a um experimento farmacêutico que promete solucionar questões psicológicas, mas os resultados são inesperados.  Foto: Michele K. Short/Netflix/Divulgação

Por que Owen é depressivo?

JH: Owen tem problemas psiquiátricos. Mas ele passou por algo traumático em decorrência de um desses problemas psiquiátricos que eu não acho que ele tenha superado.

 

Conta mais sobre o relacionamento dele com a família.

JH: Owen é deslocado de sua família. Definitivamente, existe uma espécie de família abastada do Upper East Side [bairro de classe alta de Nova York] com claramente alguns atributos nefastos de negócios que dão muito dinheiro. Eles são provavelmente o tipo de pessoa que tratam corrupção como investimento. Owen não é conivente e não está realmente interessado nesse estilo de vida, enquanto todos os outros membros da família dele são. Exceto por sua mãe.

 

Mas ele se adapta ao estilo de vida dos outros personagens?

JH: Sim, mas é interessante porque sua família acaba aparecendo nas outras histórias dos outros personagens. Os pais de Owen, Gabriel Burn e Trudie Styler, aparecem em diferentes histórias de diferentes personagens, mas eles estão trabalhando a mesma dinâmica que eles tiveram na existência de Owen. É muito difícil explicar.

 

O que torna a série ótima.

JH: O que eu mais amo é quando eu apareço, eu vejo, 'ah, aquele mesmo ator que era assim naquele episódio agora é outro personagem maior, em todo esse outro universo, porque significa algo'. Vejo que tudo estava meio interconectado e ligado e isso é realmente incrível. Patrick [Somerville] e sua equipe de roteiristas e Cary mantiveram o controle de tudo isso. Eu não sei como eles estão lidando com esse trabalho inebriante. É um tipo de trabalho complexo e inteligente que está realmente ligando tudo. Eu já estou tendo bastante dificuldade em fazer isso como ator, não consigo nem imaginar como é estar no volante.

 

Como é o seu dia em Neberdine?

JH: Neberdine é o local onde eles testam as drogas. É gerenciado pelo doutor Manthelray, interpretado por Justin Theroux, que está fazendo esse personagem muito interessante, que é muito divertido, mas tem algo a provar. Ele tem essa relação esquisita com a mãe dele, que é Sally Field. Ela é uma terapeuta famosa e eu acho que ele está tentando provar seu valor. Eu acho que isso tudo leva a ele criar sua marca no mundo. Em Neberdine, eles acordam, passam o dia normal, comem. Mas é tudo clínico, monitorado. E depois eles testam as drogas neles. E a sala onde são feitos esses testes é a mais estranha de gravar, porque é um tipo diferente de câmara colorida. Mas parece incrível na tela.

 

 

 

Qual o seu personagem favorito?

JH: Até agora, o personagem que eu mais gostei de interpretar foi Ollie e esse foi meu episódio favorito porque eu tive de interpretar personagens tão depressivos até ali, que Ollie ficou até charmoso e excêntrico. Quase como um charlatão, mas charmoso. E, honestamente, foi legal ser violento em um episódio, em vez ser introvertido e deprimente.

 

Fale mais sobre como foi ter Cary como diretor.

JH: Se eu respeito o diretor e confio nele completamente baseado em seu trabalho, isso já significa noventa por cento da razão pela qual eu assino um contrato. Muito porque eu quero trabalhar com ótimos diretores e ver como fazer as coisas. Cary definitivamente cabe nessa definição. Ele não me decepcionou em nada. E ele está construindo um mundo e isso me pega muito visualmente. Nós não conversamos muito sobre o personagem, mas o que eu vejo ele fazendo é ser responsável por essa grande obra, o que eu não acho que eu seria capaz de fazer. O que eu acho mais interessante sobre ele é o quão envolvido ele é na filmagem, o quanto ele sabe sobre lentes e capturas de cenas. Ver ele gerenciar isso é ótimo.

 

E isso dá um visual fantástico para a série. 

JH: Eu acho que perfeccionismo é a qualidade mais forte de um bom diretor. Cary pode meio que começar a estudar algo um ano antes, até dez anos e entrar de cabeça, e ficar obssessivo. Eu acho isso muito único. Quando alguém está fazendo um filme pessoal ou algo assim, é fácil entender essa obsessão. Mas ele entra de cabeça em tudo, como se ele estivesse contando a história da vida dele.

 

Fale mais sobre como é trabalhar com Emma de novo.

JH: Eu não consigo nem descrever o quanto eu respeito Emma. Ela não apenas é uma das melhores atrizes da atualidade, mas sua personalidade, seu espírito, é o que realmente fazem dela não apenas uma das melhores atrizes, mas uma das melhores pessoas com quem eu poderia trabalhar, porque ela é divertida. Ela é uma pessoa incrível que está genuinamente sempre tentando fazer as outras pessoas felizes, sempre está bem humorada e não é forçado, ela é realmente divertida, uma pessoa ótima. E eu não consigo nem imaginar essa experiência com outra pessoa no lugar dela. Ela também é tão incrível na atuação. Ela já era ótima quando nós tínhamos 17 anos, quando trabalhamos juntos. Mas esses 11 anos a colocaram no top 5 de melhores atores ou atrizes com quem eu já trabalhei. É muito legal porque nós fazemos muita coisa separados, mas quando estamos juntos, a gente sabe que a cena vai dar certo bem rápido, porque nós temos um bom ritmo juntos.

 

O que Owen ganha no fim, ele vira um herói?

JH: Eu acho que um herói é alguém que consegue fazer sua vida. Ele fica mais livre e talvez consegue lidar melhor com coisas com as quais eram muito difíceis de lidar antes. Eu acho que isso faz dele um herói.