‘Meu Amigãozão - o Filme’ ajuda crianças da primeira infância a lidar com emoções

Camila Tuchlinski - O Estado de S.Paulo

Longa estreia nos cinemas nesta quinta-feira e leva assuntos como empatia para o público infantil

‘Meu Amigãozão - o Filme’, série de sucesso entre crianças pequenas, estreia nos cinemas nesta quinta-feira. 

‘Meu Amigãozão - o Filme’, série de sucesso entre crianças pequenas, estreia nos cinemas nesta quinta-feira.  Foto: Reprodução/2DLAB

Yuri, Lili e Matt, personagens principais da série de animação Meu Amigãozão, vão embarcar em uma viagem para uma colônia de férias. Até então, as crianças estavam acostumadas a interagir entre elas, na escola ou na região onde vivem. Parece desafiador fazer novos amigos nesse lugar.

Lá, eles conhecem Duvi Dudum, que inicialmente parece ser muito divertido, mas a criatura quer separá-los. Essa aventura cheia de surpresas estreia nos cinemas nesta quinta-feira, 12, no longa Meu Amigãozão - o Filme. “Duvi Dudum acaba personificando os obstáculos de cada personagem, de forma que fica fácil pro espectador entender o que eles precisam enfrentar, mesmo que os temas não sejam tão simples assim e que para cada protagonista esse confronto tenha um significado particular”, ressalta o diretor do filme, Andrés Lieban, em entrevista ao Estadão.

Na série, o maior desafio das crianças é lidar com as próprias emoções. Agora, elas vão dar de cara com uma representação de como os medos e inseguranças podem ser enfrentados. No fim das contas, a amizade se torna um ingrediente fundamental nesse processo. 

“A primeira decisão tomada foi estabelecer o público alvo da série, de 4 a 6 anos, e logo depois entender quais são os principais conflitos e estresses do cotidiano dessa faixa etária, por quais grandes transformações estão passando. No fundo, os Amigãozões são manifestações não conscientes das próprias crianças, vozes que elas precisam ouvir, respeitar e acolher para se conhecerem melhor e crescer”, explica Cláudia Lieban, cocriadora da série.

O filme conta com roteiro dela e do canadense Clive Endersby, com consultoria do Laboratório Sesc Rio de Roteiros para Cinema. Para a criação dos personagens, a equipe fez uma extensa pesquisa em literatura especializada, além de consultar pedagogos e psicólogos para entender como educadores são orientados a abordar o tema de amigos imaginários para usar alegorias de forma construtiva.

Nesta idade, de 4 a 6 anos, é comum que a criança comece a frequentar, pela primeira vez, círculos sociais fora da sua zona de conforto, onde está acostumada a ser o centro das atenções e ter privilégios que não cabem em outras. O longa aborda este lado social e psicológico, colocando em discussão as formas que as crianças podem lidar com as emoções antes desconhecidas.

 

Assista ao trailer:

Outra preocupação da equipe foi mostrar o vilão Duvi Dudum para as crianças sem torná-lo em um exemplo a ser seguido, principalmente para um público que ainda está construindo seus valores.

“Na série, os únicos vilões eram os próprios conflitos do convívio que as crianças precisavam resolver. Como na maioria das séries pré-escolares, se evita a figura do vilão porque é fácil que ele se torne uma referência equivocada enquanto o senso de ética ou de certo e errado ainda está em formação”, analisa Andrés Lieban.

Duvi Dudum, o vilão em ‘Meu Amigãozão - o Filme’. 

Duvi Dudum, o vilão em ‘Meu Amigãozão - o Filme’.  Foto: Reprodução/2DLAB

Canções inéditas ajudam a contar a história, passeando por diferentes emoções. Toda a trilha sonora foi gravada pela Orquestra Filarmônica de Praga. “O filme promove uma sequência de experiências e sentimentos pertinentes para o nosso público e para os adultos que os acompanham, do início ao fim”, acrescenta o diretor.

Nós, humanos, somos feitos de histórias. Na vida adulta, são elas as responsáveis por nossas lembranças, boas ou ruins. Na infância, ocorre o mesmo. “Todos nós gostamos de histórias, lemos livros, vamos ao teatro, assistimos filmes ou novelas, ouvimos músicas ou narramos nossas experiências como verdadeiros contadores. Esse interesse abastece nosso repertório de sobrevivência social de alguma forma. Quando contamos uma história para uma criança, sensíveis ao que possa perturbá-la ou estimulá-la, não é diferente”, afirma Lieban. 

Em Meu AmigãoZão - O Filme, as crianças podem relacionar vários assuntos com suas próprias vivências. “Dentre outras coisas, queríamos falar sobre distância, saudade e a alegria do reencontro, sem saber que passaríamos por uma pandemia. Afinal de contas, é um tema universal ao qual qualquer criança está exposta, mas acabou ganhando um sentido renovado nos tempos atuais em que muitas vezes os amigos estão usando até a sala de cinema para se reencontrar depois de muito tempo sem contato presencial”, diz. 

Muitos pais estão começando a sair com seus filhos agora, com o avanço da vacinação contra a covid-19. Foram dois anos praticamente com pouca interação social entre os pequeninos. “Imagine então as crianças que nasceram no começo do confinamento e só agora estão tendo a oportunidade de entender que as fronteiras do mundo são muito maiores que as paredes de casa. Mas a série Meu AmigãoZão sempre foi sobre isso: desenvolver habilidades sociais para poder fazer amigos e cultivar amizades”.

 

Cartaz do longa ‘Meu Amigãozão - o Filme’. 

Cartaz do longa ‘Meu Amigãozão - o Filme’.  Foto: Reprodução/2DLAB