'É sempre surpreendente, mesmo que já tenha passado por 42 casas', diz Maria Eugênia, de 'Adotada'

Hyndara Freitas - O Estado de S.Paulo

Nova temporada do reality da MTV tem próxima temporada prevista para maio

'Adotada', da MTV, ganha mais uma temporada. 

'Adotada', da MTV, ganha mais uma temporada.  Foto: Tiago Lima Marcelino/TiagoLimaPhoto/MTV

Da curiosidade de Maria Eugênia Suconic de saber mais sobre a rotina das pessoas veio a ideia de Adotada, que agora foi renovada para a 4ª temporada. Para os novos episódios, que começam a ser gravados na semana que vem, a modelo espera conhecer novas culturas e lugares diferentes.

Envolvida desde a criação do reality, Mareu, como é conhecida pelos fãs, costuma opinar em cada detalhe do programa. "Dou pitaco em tudo. O Adotada é muito eu, então é tudo combinado, eu sou a louca dos detalhes, principalmente nas roupas, maquiagem, cabelo, e nas minhas conversas com as famílias nos primeiros momentos", disse ela em entrevista ao E+.

A fala é comprovada alguns instantes mais tarde, quando a entrevista é interrompida para a escolha do figurino para a gravação de alguns vídeos promocionais da nova temporada. Uma das responsáveis pela produção pergunta qual dos três vestidos ela quer usar. "Um para cada momento", deixa claro Mareu. "E aquele azul?", pergunta a mulher. "Não quero nada de azul", a ruiva responde, enquanto suas unhas, recém-pintadas de rosa pink, secam.

Quando questionada sobre a família mais marcante das três temporadas, Mareu diz que não poderia escolher a melhor, mas não hesita ao revelar a mais inesquecível por um mau motivo. "Quando fui expulsa. A mãe falou que eu me vestia que nem uma palhaça, que não queria uma filha assim. Eu não esperava, nem a equipe, todo mundo ficou passado, sem saber o que fazer. Depois ela me queria de volta, mas não tinha como", relembrou.

As surpresas, porém, estão em todos os momentos do programa. Maria Eugênia não participa da escolha das famílias e pouco sabe delas até chegar na casa. Ela recebe apenas algumas 'dicas', como um hobbie ou mania de algum membro, mas se recusa a saber mais. "Sempre é surpreendente, sempre é o mesmo nervosismo, por mais que eu já tenha passado por 42 casas diferentes, nunca sei o que me espera do outro lado. Eu até poderia ir atrás de saber mais sobre a família, mas é algo que não me interessa, se não, perde a graça", explica.

Além disso, todas as reações dela são reais, garante: "Eu até falo para a equipe que eu não sou uma pessoa 'dirigível', já passaram vários diretores por aqui porque não é todo mundo que consegue trabalhar comigo. A pessoa às vezes vira para mim e fala para eu fazer isso e aquilo mas, para mim, um reality show tem que ser um real. Eu estou vivendo isso e estou falando o que estou sentindo na hora. Tem a edição, é claro, mas não dá para ter um roteiro. Uma coisa de tipo vai lá, pergunta isso e isso para a família. Não entro em família de ator, tenho que conversar, perguntar, e as pessoas têm que saber que sou eu lá".

E depois de visitar tantas casas, Mareu teve sua vida transformada - para muito além da rotina de gravações. "Eu tive anos de síndrome do pânico, eu morava com a minha mãe. Só conseguia fazer as coisas muito bem planejadas, não podia ir para um lugar que eu não conhecesse, que eu não sabia o que ia fazer. E nisso o Adotada me deu uma segurança maior, muito maior. Foi uma coisa que realmente mudou. Sabe, não é que eu estou curada, pois falam que pânico não cura. Eu acho que cura de uma certa forma. Eu aprendi os meus limites, então eu sei que, quando eu tiver uma crise de ansiedade, não vai ser um pânico absurdo que eu não vou conseguir sair da minha casa, como era antes. Eu vou respeitar o que está acontecendo comigo. Depois disso, fui morar sozinha. Aprendi a ter minha vida. E é um programa que eu busco famílias, eu aprendi a ter minha liberdade, é muito louco, foi muito bom para mim isso", diz.

Se as famílias causam mudanças nela, a intenção de Maria Eugênia não é causar mudanças nas casas em que é adotada - ela apenas espera que as pessoas vejam algo bom nela e que, se ela puder ajudar, é ótimo. Entretanto, ela revela que gostaria de mudar uma família específica: a de Henrique, que é gay assumido. A família apareceu na primeira temporada e o pai do jovem não aceita sua orientação sexual.

"Eu não gosto de preconceito com nada. Você pode até estranhar alguma coisa, mas não pode agredir com esse estranhamento que você tem. O menino era gay, e aí? Fazia tudo igual a todo mundo. É uma família que eu gostaria de mudar, porque falei com ele [Henrique] há pouco tempo, e ele virou mulher agora, e teve de sair de casa porque a família não o aceitou. Ele é louco pela família, e a mãe parou de falar com ele, e um monte de coisas aconteceram só porque ele mudou de sexo. E qual é o problema? O caráter continua. Com essas coisas eu não me conformo, acho muito burro, porque isso não interfere em nada na vida. Ele só ama, e o amor é bonito, não é? Ou era para ser. Não sei o que é mais agora", desabafa Maria Eugênia.

A estrela de Adotada espera que a nova temporada tenha uma pegada mais 'cultural', pois a produção do programa promete incluir famílias de diferentes regiões do País nos novos episódios. Sobre novos projetos, Mareu conta que até tem alguns, mas que é difícil colocá-los em prática devido ao tempo que o reality toma dela. Ainda assim, ela revelou que vai lançar um canal noYouTube em breve, ao lado do namorado, o ator Andre Bankoff, com vídeos sobre relacionamento.