Dono de personagens controversos, Eduardo Sterblitch vira 'tio fofo' em programa infantil

Ananda Portela* - O Estado de S.Paulo

Ator e comediante estreia no Multishow à frente de seu primeiro programa solo

A nova atração do Multishow vai revelar novos talentos do humor entre crianças de 7 a 11 anos

A nova atração do Multishow vai revelar novos talentos do humor entre crianças de 7 a 11 anos Foto: Edu Viana/Multishow

Eduardo Sterblitch deixou o programa Pânico em 2016 e hoje desenvolve um projeto muito diferente daquele em que estava inserido. O ator pôs em prática seu plano de trabalhar com crianças e, em setembro, fará sua estreia no Multishow como apresentador do programa Humoristinhas

A atração vai revelar novos talentos do humor. Foram selecionadas 24 crianças, entre 7 e 11 anos de idade, que terão que competir por meio de performances artísticas que envolvem atuação, mágicas, imitações, mímicas e stand-up. O programa terá o ator e mágico Gabriel Louchard e a apresentadora Titi Müller como membros da bancada fixa de jurados.

“Esse programa é troca de afeto e graciosidade. Minha função é trocar afeto, entender quem é aquela criança e estar muito à disposição dela”, afirmou Eduardo Sterblitch ao E+ sobre seu novo programa. A possibilidade de trabalhar com crianças é nova, mas sempre fez parte dos projetos do ator. “Quando eu saí do Pânico, eu estruturei todas as minhas ideias e tentei vender. Uma das ideias que eu tinha era um programa infantil”, revelou o comediante. Veja a entrevista completa com Eduardo Sterblitch:

Você começou a se afastar do Pânico em 2015, mas a saída definitiva ocorreu no ano seguinte. Por que você resolveu sair do programa?

São milhões de motivos, como em toda família. Eu já estava armando minha saída do Pânico há um tempo por uma questão totalmente artística. O programa é um fenômeno, na rádio, televisão. É um programa com uma liberdade editorial gigantesca, então digamos que foi minha faculdade. Eu não tenho faculdade, fiz supletivo, então toda minha formação é artística. Digamos que o teatro foi meu ensino médio, o Pânico foi minha faculdade e agora eu já fiz mestrado, doutorado nessa faculdade e eu preciso entrar no mercado de trabalho. Se eu ficasse lá, eu acredito que ficaria repetitivo. Eu ia criar um personagem de novo e ia acabar acontecendo a mesma coisa. É uma linha de raciocínio onde eu estava dentro de uma zona de conforto com 30 anos de idade. Então eu achei artisticamente que seria muito importante pra mim, como um jovem que tem potencial pra ser um bom artista um dia, eu sair dessa minha zona de conforto artística e principalmente financeira. Eu queria que fosse difícil pra mim mesmo, o que eu não consigo fazer, o que eu não sei fazer. Eu estou me colocando numa situação desconfortável para poder entender o que eu eu sou, qual é o sentido do meu artista.

Como surgiu o convite da Globo para participar do Amor e Sexo?

Foi bem aleatoriamente. Eu tenho um grupo de amigos que tem uma banda. Eles se vestem de mulher e levantam bandeiras artísticas no show. Eu fui participar do show deles e nesse dia na plateia, a Fernanda Lima estava junto com o Antônio Amâncio (escritor do Amor e Sexo). Provavelmente, eles estavam vendo o show para chamar a banda para alguma participação no programa. No final, eles me perguntaram se eu participaria. Eu achei bem legal porque eu saí do programa mais machista para o mais feminista. Seria um campo minado fazer piada sobre assuntos que são considerados tabus. O desafio foi tentar entender o que eu poderia somar no programa sem precisar fazer a piada, ser o humorista. Eu podia ser o Edu. Não é um programa de humor, é um programa que levanta bandeiras; o meu papel ali é outro. Então para mim, foi essa a dificuldade. Precisava zerar tudo aquilo que eu sabia para tentar entender isso aqui. Eu acho que a parte mais legal do programa foi a criação e a mais difícil foi a participação.

E agora no Humoristinhas você usa uma linguagem totalmente diferente. Como foi trabalhar com crianças e fazer humor para elas?

Eu acho legal porque eu acredito que os adultos estão muito chatos, sem paciência, confusos pelo que está acontecendo no mundo. Eu acho que as crianças trazem esse frescor afetivo. A gente está fazendo um programa que é afeto. Ele é troca de afeto e graciosidade. Minha função é trocar afeto, entender quem é aquela criança e estar muito à disposição dela. Eu me jogo realmente, acho que esse é o grande barato do programa, como é genuíno. Talvez minha vontade seja essa: agregar público, falar com o maior número de pessoas possível, diferente daquele público que eu tinha.

O Humoristinhas já estava relativamente estruturado e te chamaram para compor a produção ou ele estava todo pronto e te convidaram para apresentar?

Quando eu saí do Pânico, eu estruturei todas as minhas ideias e tentei vender para tentar trabalhar com elas individualmente. Eu comecei a empacotar todas as ideias que eu tinha para apresentar para as produtoras. Uma delas era um programa infantil, mas ele ficou caro. Depois, a Elisabeta, produtora da Floresta, gostou muito da minha ideia com crianças. Passou um tempo e ela sugeriu um concurso de humor com crianças. Eu e a Lilian Amarante (diretora do programa) sentamos e em uma tarde estruturamos a base do programa. A ideia foi melhorando e continuou assim durante as gravações. O programa é um grande piloto por causa dos números das crianças que a gente descobre de acordo com a gravação.

O programa tem uma temporada de 12 episódios. Você planeja fazer outras temporadas?

Não penso nisso, porque eu sou muito ansioso (risos). Então se eu ficar pensando, eu não vivo. Acho legal a questão da segunda temporada pela questão do sucesso. Se tiver uma segunda temporada, é porque a primeira foi boa. Se me chamarem para fazer a segunda, é porque rendeu, o público gostou. Eu acredito, pelo meu sentimento, que realmente é um programa muito interessante.

*Estagiária sob supervisão de Charlise Morais