Disney quer mudar papel das mulheres em suas produções

Alejandro Rincón Moreno - EFE

Executiva da The Walt Disney Company disse que a empresa foi evoluindo com a sociedade e que o trabalho é mostrar visões diferentes do senso comum

Cena da animação 'Mulan', da Disney.

Cena da animação 'Mulan', da Disney. Foto: Estúdios Walt Disney/Divulgação

Chegou ao fim a era de personagens femininas frágeis em filmes e séries da Disney. A companhia acredita que já passou da hora de dar outros papéis e novas qualidades às suas protagonistas.

"Hoje, as nossas protagonistas mulheres são decididas, são mulheres autônomas, são mulheres que buscam e perseguem sonhos, que não esperam que ninguém as salve. Mas é claro que elas têm relações, se apaixonam e coisas acontecem com elas, como com todo o mundo", disse a argentina Belén Urbaneja, diretora de Cidadania Corporativa e Gestão de Marca para a América Latina da The Walt Disney Company.

A executiva comentou as mudanças e evoluções dos conteúdos durante uma visita à Colômbia, onde participou de um congresso sobre televisão educativa.

"Nós fomos evoluindo com a sociedade a respeito do papel da mulher. Quando Walt Disney começou a fazer esses filmes, a mulher tinha um papel que não é nem um pouco parecido ao atual", disse.

Para ela, as coisas vão além do machismo diário. Perguntada sobre a polêmica em torno das históricas Princesas da Disney e o seu exemplo para as meninas, Belén acredita que a empresa finalmente entendeu que hoje a mulher ocupa outro lugar na sociedade.

A diretora considerou que as coisas começaram a mudar quando a Disney lançou a animação da história da princesa e guerreira Mulan, em 1998, mas ainda reconhece que existe um longo caminho a ser percorrido.

Recentemente, a Disney permitiu fazer piadas sobre os próprios estereótipos, como ocorreu no filme de animação Ralph vs Internet (2018), em que a protagonista Vanellope divide uma hilariante cena com toda a constelação de princesas.

A executiva da Disney ressaltou que não se trata apenas de romper com estereótipos, mas de começar a mostrar outros modelos de família, outros papéis femininos e também masculinos, como personagens LGBT ou que, no mínimo, apresentem uma visão diferente do senso comum sobre os homens.

A Disney surpreendeu, por exemplo, com uma cena abertamente gay na versão live-action do clássico A Bela e a Fera (2017): o personagem LeFou, interpretado por Josh Gad, mostrou sem tabus os seus sentimentos por outro homem.

Belén também destacou os esforços da Disney em produzir conteúdos infantis que ajudem as crianças na sua educação. "A nossa responsabilidade é cada vez mais evidente. As crianças estão cada vez mais expostas a conteúdos audiovisuais e passam cada vez mais tempo na frente das telas", disse.

Para lidar com o desafio de transformar e adaptar os seus conteúdos, a executiva garante que a empresa sempre ouve as sugestões do público, e uma das ideias é começar a contar histórias de uma maneira diferente do habitual. Por exemplo, ela citou a série Pablo, do canal NatGeo Kids, uma ficção animada que conta a história de um menino com autismo.

"Para essas mudanças, ajudam muito os conteúdos, as histórias, os filmes, principalmente na construção da identidade das crianças", declarou. "Tenho 44 anos. Quando era pequena, quantas histórias eu vi sobre mulheres matemáticas ou cientistas? Provavelmente nenhuma", refletiu.