2ª temporada de 'Sintonia' retrata realidade das favelas: ‘Um holofote para esse Brasil renegado’

Bárbara Correa* - O Estado de S.Paulo

Atores falam sobre papel do crime organizado, igreja e funk nas periferias, representados na série

Protagonistas Jottapê, Bruna Mascarenhas e Christian Malheiros

Protagonistas Jottapê, Bruna Mascarenhas e Christian Malheiros Foto: Vanessa Bumbeers/ Netflix

 

A segunda temporada da série Sintonia estreia nesta quarta-feira, 27, na Netflix e traz a realidade das periferias para além do funk. Os seis novos episódios evidenciam como a ausência do Estado é suprida nas comunidades. 

A série é protagonizada por Christian Malheiros, que dá vida ao Nando, Bruna Mascarenhas, intérprete de Rita, e Jottapê, que faz o MC Doni. Os amigos representam três pilares das favelas: o crime organizado, a igreja e o funk, respectivamente. 

"A gente está falando de questões sociais, de falta de oportunidade, de pessoas que são jogadas à margem da sociedade. É um holofote para essas pessoas que não são vistas, para esse Brasil que é renegado”, afirma Christian.

 

 

Nando e o crime organizado 

 

 

Personagem Nando em nova temporada de 'Sintonia'

Personagem Nando em nova temporada de 'Sintonia' Foto: Netflix

 

Nesta segunda temporada, enquanto o personagem Nando está cada vez mais envolvido no comando do crime organizado, Rita está focada na sua conexão com a religião e em ajudar a construir a igreja na comunidade. 

“O Nando é a ponta do iceberg. A gente está falando de crime organizado, mas ele não começa na favela, ali é o ponto, mas não é dali que vem, não é onde está o foco da situação. Aquilo é o que a sociedade vê como a raiz do problema”, diz Malheiros.

“Estamos mostrando não só a organização criminosa, mas também o quanto o Estado é ausente, o quanto a filosofia do Estado não está presente para defender o cidadão, principalmente o cidadão preto de periferia. Estamos escancarando muitas coisas que precisam ser colocadas em cheque”, reitera o artista. 

 

 

Rita e a igreja

 

Rita na igreja em novos episódios de 'Sintonia'

Rita na igreja em novos episódios de 'Sintonia' Foto: Netflix

 

Em entrevista ao Estadão, Bruna reitera que o papel da igreja nas favelas, representado pela sua personagem, também ocupa uma grande lacuna: “A igreja tem uma função social muito forte que é de acolher e dar pertencimento para as pessoas e essa falta do Estado também está aí”. 

A atriz conta que se inspirou no irmão, que tem 20 anos e também se converteu. “A Rita me ensinou muito a transformar nosso olhar para a religião. Antes eu tinha um certo preconceito, porque atrelava isso à política. Eu não conseguia entender algumas decisões dela, mas aprendi muito sobre perdão. Essa profissão nos possibilita trabalhar a empatia em vários lugares”, disse.

 

 

MC Doni e o funk

 

Personagem Donni ao lado de Alok e Kevinho em nova temporada de 'Sintonia'

Personagem Donni ao lado de Alok e Kevinho em nova temporada de 'Sintonia' Foto: Netflix

 

Nos novos episódios, o personagem Doni vê sua carreira crescer e ter o reconhecimento de músicos brasileiros como  DJ Alok e MC Kevinho, que participarão da nova temporada. Para Jottapê, a série também enriquece o movimento do funk no Brasil:

Sintonia ajudou muito a levantar essa bandeira da importância cultural do funk, mostrando como é a realidade de um MC. Não é porque o cara canta que é associado ao crime, muitos MCs são maltratados pela polícia simplesmente por cantar funk. Acho importante mostrar toda realidade da periferia e é isso que estamos fazendo”, afirma. 

Sintonia é idealizada pelo produtor musical KondZilla ao lado de Guilherme Quintella e Felipe Braga. A segunda temporada ainda conta com Fanieh, Gabriela Mag, Bruno Gadiol e Marat Descartes no elenco. Confira o trailer: