'Vestir-se de acordo com a idade é uma grande idiotice', diz Iris Apfel

Maria Rita Alonso - Especial para O Estado de S. Paulo

Aos 95 anos de idade, a decoradora norte-americana é um dos maiores ícones de estilo da atualidade

Iris se tornou uma personalidade do mundo da moda aos 84 anos

Iris se tornou uma personalidade do mundo da moda aos 84 anos Foto: Karsten Moran/The New York Times

Exagerada, maximalista, irônica e debochada, Iris Apfel parace estar sempre vestida para lacrar! Seu estilo extraordinariamente enfeitado está tão em linha com a era das redes sociais, que, aos 95 aos, ela tem mais de 700 mil seguidores no Instagram – considerado a grande vitrine virtual da atualidade. E como ela é fotogênica! Seus óculos redondos gigantescos, o cabelo branco em contraste com o batom vermelho, as joias étnicas de jade, baquelite e turquesa, tudo nela, junto e misturado, imprime bem. Iris é pop, é over, mas tem um olhar harmônico para unir elementos diferentes e impactantes ao mesmo tempo.

 

Sua fama na moda veio tardiamente e meio que por acaso, após o cancelamento de última hora de uma exposição no Metropolitan Museum of Art, em 2005 – a essa altura ela já estava com 84 anos. Sem nenhum plano B oficial, o curador Harold Koda, diretor de Costume do MET na época, lembrou-se da coleção de joias de Iris, que até então era reconhecida mesmo no universo design e decoração. Assim foi criada a mostra “Rara Avis: Selections from the Iris Apfel Collection”, um sucesso de público. Iris participou ativamente da montagem e fez questão de produzir os manequins para garantir que tudo saísse do seu jeito.

 

A partir daí, virou um ícone de estilo. Fechou parceria com a M.A.C para lançar uma coleção de maquiagem, foi capa da revista Dazed & Confused, estrelou campanhas de grifes como a Celine e virou garota-propaganda da Luxottica, um dos maiores conglomerados de marcas de óculos.

 

Em 2015, a história de Iris foi registrada no documentário homônimo, dirigido por Ari Seth Cohen e lançado pela Netflix, no qual ela diz acreditar ter sido uma das primeiras a usar calças jeans, em 1940. Sempre transgressora, ela declara que vestir-se de acordo com a idade é uma grande idiotice.  “O conceito de elegância não mudou com o passar do tempo. Ele, simplesmente, foi jogado pela janela". 

Essa estética da extravagância, que ela cultua tanto, foi refinada ao longo dos anos de trabalho como designer de interiores ao lado do marido Carl Apfel (que morreu em 2015, aos 100 anos). Juntos, eles viajaram o mundo em busca de objetos exóticos para decorar a casa de clientes poderosos. Cuidaram ainda do décor da Casa Branca durante o mandato de nove presidentes.

 

"Quando tive que começar a usar óculos, fui até uma loja e o vendedor me perguntou qual tamanho de armação eu gostaria. Respondi: 'grande o bastante para te ver'". O curioso é que quanto mais ela encara as pessoas de frente, mais as pessoas reparam nela  -- e admiram o seu jeito vibrante de se expressar.