Uma cria, a outra vende

Helena Tarozzo - O Estado de S.Paulo

Lilly Sarti é sucesso de público e crítica com sua moda folk-sexy – ao lado da irmã Renata, que sabe fechar negócio

Lilly e Renata Sarti: a nova geração da moda brasileira

Lilly e Renata Sarti: a nova geração da moda brasileira Foto: Felipe Rau

“Vendemos todos os colares que chegaram sexta-feira nesse final de semana”, conta, com entusiasmo a gerente da loja Lilly Sarti do Shopping JK às irmãs, Lilly e Renata Sarti, sócias e donas da marca, na manhã de uma segunda-feira. Cada um por 769 reais. A primeira notícia do dia foi recebida com animação. E, tem sido assim, nos últimos anos. Comandada desde 2006 a quatro mãos, a Lilly Sarti é o tipo do negócio que deu certo porque oferece uma moda que agrada a brasileira: é feminina, sexy, colorida, tem um quê meio étnico, sem ser folclórico, com peças perfeitas para tirar a caretice de looks urbanos.

À frente da direção criativa e porta-voz da grife, Lilly, a mais nova, 27, é quem dá a vida aos vestidos fluidos, tops recortados, saias com babados, e peças e mais peças de chamois e couro em cores vibrantes. Ali nada é barato. Uma calça jeans custa quase 900 reais, um vestido, chega a 4000 reais. O que faz com que a grife concorra de igual para igual com marcas de luxo internacionais.

Formada em Relações Internacionais na FAAP, ela decidiu entrar na moda por acaso. “Foi sem pretensão, sem business plan. Eu pensava, ‘que roupa quero vestir?’, e fazia alguns desenhos. Depois comprava sedas assinadas por Christian Dior, lãs super 180, lã fria nas lojas de tecido da Rua Augusta e mandava fazer”, relembra Lilly.

Ao circular do clube aos badalados restaurantes e festas da cidade, ela conseguiu, aos 19 anos, a atenção das amigas e das mães delas, que logo preenchiam uma lista de encomendas.  Com o grande networking que fez, foi convidada para ter o próprio corner na Daslu, onde conseguiu uma clientela fiel, após ser apadrinhada por Eliana Tranchesi e Donata Meirelles. Sem estrutura, na época não conseguiam nem consignar os produtos, a Daslu comprava todas as peças e revendia. Em um ano de vendas na boutique, elas já haviam ampliado o leque de distribuição entre outras multimarcas. Hoje, são encontradas em 70 pontos espalhados pelo país.

A última campanha da marca deixa claro seu DNA sexy e chique

A última campanha da marca deixa claro seu DNA sexy e chique Foto:

Já Renata, 29, fala pouco, sorri só de vez em quando, mas cuida com precisão das contas do negócio e das estratégias comerciais e, claro, não nega o lado fashionista. Vive rodeada de personalidades de moda do momento, entre eles Vitorino Campos, Pedro Lourenço e Cássia Ávila, e às vezes faz alguns pedidos especiais para a irmã desenhar na próxima coleção, como calças jeans e pantalonas de cintura alta. Juntas, elas são a cara da marca.

Em 2014, a dupla entra em uma fase de sua trajetória com passos de gente grande. Seguras do seu estilo, em março elas fizeram sua estreia na passarela mais importante do país, durante a última temporada de Verão da São Paulo Fashion Week. Vitrine imediata, a Lilly Sarti chamou a atenção da imprensa internacional.

 O site norte-americano, Style.com, por exemplo, enquadrou a marca em “uma nova geração da moda brasileira”, que vem acompanhada pelas estilistas Paula Raia e Giuliana Romanno.  Na Europa, o periódico francês Le Figaro as escolheram entre as melhores coisas de São Paulo e segundo a publicação, elas “reivindicam alto e claro o sex-appeal da brasileira moderna”.

Garotas do Rio: As fãs da marca lotaram a inauguração da loja carioca

Garotas do Rio: As fãs da marca lotaram a inauguração da loja carioca Foto: Divulgação

Em maio último elas fecharam mais um mês com saldo positivo: após a abertura da terceira loja da marca, a primeira no Rio de Janeiro (localizada no Fashion Mall, shopping de luxo carioca), lançaram uma coleção cápsula com a C&A no último dia 22. A parceria demorou um ano e meio de reuniões até ser costurada. O sucesso veio já na pré-venda, que só perdeu em público para a da estilista inglesa Stella Mccartney. “Pudemos escolher modelo, fotógrafo... e a coleção tem 80 itens, entre roupas, bijuterias, sapatos e bolsas, similares aos nossos best-sellers. Dificilmente a C&A dá toda essa liberdade”, diz Lilly, sobre as cartas brancas que tiveram da empresa holandesa. “Foi tudo do jeito que a gente quis, da maneira que a gente quis, eles foram muito solícitos.”

 Fora isso, elas possuem atrizes globais, como Carolina Dieckmann, Thayla Ayala, Fernanda Paes Leme, e as blogueiras Thassia Naves, Lala Rudge e Helena Bordon como principais clientes – todas elas são superativas no Instagram e ajudam a turbinar as vendas e o perfil da estilista, que já tem mais de 60 mil seguidores na rede social. Com essa visibilidade toda, ela consegue reforçar seu estilo de vida e instigar o desejo nas consumidoras-fãs. E bombar o e-commerce. A marca atua na Farfetch, no O que vestir e no próprio site, hospedado pelo Shop2gether. Com isso, as vendas no último ano chegar a crescer 200% em relação ao ano anterior.

O tino para inspirar mulheres Brasil afora é evidente nas duas irmãs. Elas aprenderam bem a lição de casa e, desde o começo, sabem que são a sua melhor vitrine. Não à toa, o resultado são mulheres que visitam suas lojas toda semana, em busca de novidades e prontas para deixar as prateleiras vazias.