Último dia de SPFW tem encontro de gerações

MARIA RITA ALONSO E GIOVANA ROMANI - O Estado de S.Paulo

Apresentações desta sexta, 29, uniram jovens estreantes e estilistas consagrados

Houve um encontro de gerações nesta sexta-feira, 29, último dia da São Paulo Fashion Week. De um lado Lino Villaventura, um dos mais reconhecidos estilistas do País, dono de uma longa carreira voltada à alta costura, e a marca Ellus, que está prestes a fazer 45 anos. De outro, uma leva de novos representantes da moda nacional, entre eles as grifes GIG, Ratier e a Cotton Project, estreante no evento.

Ratier entregou desfile relevante, com coleção coesa e conjunção interessante de trilha, luz e cenografia

Ratier entregou desfile relevante, com coleção coesa e conjunção interessante de trilha, luz e cenografia Foto: AP

Lino abriu as apresentações com uma performance diferente, na qual o fotógrafo Miro retratava ao vivo as modelos que desfilavam. Ali mesmo na passarela, em tempo real, as fotos eram exibidas em um grande telão, fazendo referências às imagens, normalmente, impressas em revistas. 

Miro, que por décadas foi o principal fotografo de moda do País, dirigiu a posição de cada uma das 18 modelos, orientando-as sobre as poses em um ensaio prévio. O mise-en-scéne fez sentido e combinou com a dramaticidade dos vestidos, confeccionados com tecidos amassados, nervurados e com micro-plissados que conferiam volumes encorpados à modelagem. A maquiagem teatral complementava os looks oníricos. 

EFE
Ver Galeria 8

8 imagens

Na ala jovem, uma estreia fresca e convincente, a da marca paulistana Cotton Project, criada pelo jovem designer Rafael Varandas. Aos 30 anos, ele faz roupas para o surfista-skatista que cresceu. Não usa mais bermudões e camisetões, mas também não se encontra nas araras de lojas tradicionais do shopping. O resultado é uma coleção esportiva, com jeans, jaquetas bomber, camisas de manga curta com estampas florais comedidas. Tudo muito usável ecom preços acessíveis. “Percebia essa lacuna do mercado: o jovem adulto que consumia marcas de surf como Quicksilver e Billabong acabava ficamdo órfão”, diz Varandas. Formado em economia pelo Insper, ele estudou design gráfico na Califórnia e voltou da temporada americana, em 2008, decidido a abrir seu negócio. Desde então mantém a estrutura pequena: trabalha em parceria com o estilista Acácio Mendes e conta apenas com mais duas pessoas no escritório. “É um desafio estar na semana de moda”, afirma Varandas.

Para uma marca nova, é mesmo difícil colocar em pé um desfile relevante, com uma coleção coesa e uma conjunção interessante de trilha, luz, cenografia. Em seu segundo desfile na SPFW, Renato Ratier conseguiu. Empresário da noite e DJ (é dono da boate D-Edge), ele colocou um enorme telão de LED no centro da passarela, que exibia grafismos luminosos e gráficos acompanhando o caminhar das modelos e fazendo referências às linhas retas da Bauhaus, escola modernista que inspirou a coleção. Ficou claro agora que Ratier era o minimalista que faltava na semana de moda brasileira. Com uma cartela de cores enxuta e elegante, baseada no chumbo, no mostarda e nos tons terrosos, seus looks são simples, funcionais e trazem surpresas como a modelagem assimétrica e as misturas inusitadas de materiais sobrepostos (nylon e seda e organza e couro).

Comandada por Gina Guerra, a mineira GIG Couture é uma das precursoras da onda de marcas nacionais dedicadas exclusivamente ao tricô. Estreou na SPFW em 2014 e, desde então, vem estudando novas maneiras de usar o tricô tanto no que diz respeito à modelagem quanto à mistura de fios. Nas duas últimas temporadas, Gina Guerra vinha explorando jacquards com shapes justos e estruturados. Nesta, pela primeira vez, mostrou silhuetas soltas. Seu ponto de partida foi o trabalho da artista plástica francesa Sonia Delaunay, conhecida pelas telas abstratas com círculos e semicírculos de cores vibrantes. A coleção tem  geometrias, texturas, volumes, plissados e efeitos tridimensionais, com tecidos metalizados em tons dourado, cobre, verde, roxo e azul. Vale destacar os sapatos: tamancos com inspiração aristocrática, metalizados, difíceis de serem usados na vida real.

Gabriela Biló / Estadão
Ver Galeria 9

9 imagens

Pesados e com plataformas retas, os sapatos também chamavam atenção na coleção da Ellus. A grife deu um mood cosmopolita a roupas inspiradas no Havaí. Trata-se de um Havaí urbano, um “Havaí by night”, com hibiscos estilizados em fundos pretos e jeans. “É preciso ter um discurso coerente. A Ellus tem seus clássicos, entrega o que promete e não depende de um marketing fake”, diz Adriana Bozon, diretora criativa da grife, cujo desfile fechou a 41ª SPFW.