Agente que ajudou a revelar Gisele conta como virar uma top de sucesso

Sergio Amaral - Especial para O Estado de S.Paulo

Liliana Gomes, sócia da Joy que acompanhou a descoberta de Gisele, fala da armadilha da indústria do book e da importância do Instagram nos dias de hoje

A top Lais Ribeiro, uma das estrelas da agência Joy, desfila para a Victoria's Secret em novembro do ano passado, em Xangai

A top Lais Ribeiro, uma das estrelas da agência Joy, desfila para a Victoria's Secret em novembro do ano passado, em Xangai Foto: ALY SONG/REUTERS

Sócia do lendário John Casablancas, Liliana Gomes estava lá quando Gisele Bündchen foi descoberta. Acompanhou de perto as carreiras de Isabeli Fontana, Michelle Alves, Raica Oliveira, Ana Beatriz Barros, Caroline e Lais Ribeiro. Sócia da Joy, a agência responsável pela edição brasileira do concurso de novos talentos The Look of The Year, com inscrições abertas até 16 de outubro, ela dá dicas para quem quer se tornar modelo de sucesso. 

Que passos alguém que quer ser modelo deve tomar?

Procure as melhores agências do mercado e depois vá para as secundárias. O adolescente não sabe se é bonito, se é feio. Todo adolescente se acha feio porque eles são uma nova beleza, são a nova geração. Hoje, pela internet, esse contato com as agências é mais efetivo e o risco é menor.

 

Mas ainda rola uma indústria de books, que é meio roubada…

Continua tendo gente que vende book. A internet pode ser uma ilusão também se você quiser. Toda modelo tem que fazer um book, mas só depois que você já estiver numa agência. Essa coisa do book que você paga para fazer é focada principalmente em crianças e adolescentes. Existe esse mercado aí e ele vai muito bem obrigado. O seu melhor book hoje é o Instagram.

 

Essas fotos que a pessoa faz para se apresentar para as agências pela Internet devem ser como?

O certo é fazer foto sem maquiagem, sem correção de novos filtros que mudam cor de pele e cabelo, de rosto e de corpo. Fotos de rosto, de corpo, sem muita produção.

 

Até que ponto vale a pena persistir quando as agências dizem não?

Difícil dizer… A carreira da Carol Ribeiro, que é uma modelo importante, deslanchou depois de cinco anos só. Daria Werbowy foi em várias agências e ninguém gostou. Foi na IMG, mandaram ela emagrecer e voltar. Agora se você ouvir “não” de 5, 6 agências boas, talvez seja a hora de parar. Ou ir para uma agência menor e virar uma atriz. Às vezes, uma modelo maravilhosa não é obviamente bela. E uma mulher bela nem sempre vai ser uma boa modelo.

 

Existem um peso e uma altura ideais?

O peso é muito diverso por conta da estrutura óssea. Altura a gente se preocupa mais: uma menina deve ter entre 175 e 182 centímetros porque assim tem mais possibilidade de ir para Nova York, Paris e Londres... Mas não é regra. Tem meninas tops que não tem 175, como Kate Moss, que tem 169, 170, ou mesmo a Ana Paula Arósio. A Bruna Linzmeyer foi nossa modelo antes de ser atriz. Ela é pequena, mas tem um rosto absurdo. Hoje é muito amplo o mercado.

 

E no caso dos meninos? Tem pré-requisitos?

O ideal é ter no mínimo 180 centímetros de altura e 16 anos, idade mínima para trabalhar legalmente.

 

E o Instagram, hein? Ele é fundamental, você disse...

O mais importante é definir sua personalidade. Do que você gosta? Qual o seu hobbie? Ninguém tem a fórmula de como fazer certo. No Instagram você se vende. Hoje em dia, cliente nenhum fecha trabalho com modelo sem ver o Instagram antes. Tem os que buscam número de seguidores e outros que buscam uma coisa mais natural ou autêntica, mas as pessoas ainda admiram o belo. O belo nunca vai ser ultrapassado.

A empresária e agente de modelos Liliana Gomes (na direita), com Gisele Bündchen e sua filha Gabriela Fagundes 

A empresária e agente de modelos Liliana Gomes (na direita), com Gisele Bündchen e sua filha Gabriela Fagundes  Foto: Acervo Liliana Gomes