Sete destaques da Semana de Moda de Milão

Maria Rita Alonso - O Estado de S.Paulo

O militarismo sexy da Versace, a declaração de amor de Dolce e Gabbana à Itália, os tailleurs ultramodernos da Prada…Veja por que as coleções italianas prometem tirar a moda da mesmice

Gigi Hadid na passarela da Versace

Gigi Hadid na passarela da Versace Foto: REUTERS/ Stefano Rellandini

Encerrada nesta segunda, 28, a Semana de Moda de Milão mostrou que as casas italianas têm se esmerado para ganhar cada vez mais relevância no cenário internacional (para, quem sabe, se igualar à Paris em um futuro próximo). E isso se deve em muito à recente dança das cadeiras nas grifes, encabeçada por Alessandro Michele. Até então responsável pela divisão de acessórios da Gucci, o estilista assumiu o lugar de Frida Giannini na direção criativa em janeiro e vem injetando frescor, cores e conceitos nas coleções masculinas e femininas. O mesmo vale para Massimo Giorgetti, que comanda a própria marca, a MSGM, e nesta temporada mudou a cara da tradicionalíssima Emilio Pucci, e para Jeremy Scott, que fez da Moschino um fenômeno pop de likes e compartilhamentos nas redes sociais. Sem dever em nada para a nova geração, Dolce&Gabbana, Miuccia Prada e Donatella Versace também fizeram apresentações memoráveis - o desfile da Versace, inclusive, foi apontado como o melhor da semana e, a coleção, a melhor da estilista em todos os tempos. Confira alguns destaques da fashion week italiana.

1. O militarismo sexy da Versace

Foto: EFE/EPA/MATTEO BAZZI

Raquel Zimmermann, Gigi Hadid, Carol Trentini. Mulheres poderosas para uma coleção idem. Com alfataria, vestidos e casacos de inspiração militar, Donatella Versace mostrou que o sexy pode ser para todas - e não apenas para supermodelos. Basta fechar em cima, cobrir os braços, marcar a cintura, encurtar o comprimento e mostrar as pernas. As estampas, uma espécie de camuflado que se desdobra em animal print, ganharam ar cool combinadas a sandálias pesadas usadas com meias. E sem cansar de ser sexy. Houve ainda bons looks de couro, peças de alfaiataria risca de giz com a bainha descosturada, blazers alongados… E vestidinhos estampados, curtos, decotados, recortados. Esses, sim, só para Raquel, Gigi, Carol e companhia.

2. O vintage geek da Gucci

Foto: REUTERS/Stefano Rellandini

Alessandro Michele assumiu a direção criativa da grife em janeiro, mas parece um veterano no cargo tamanho o barulho que vem fazendo. Depois de apresentar ao mundo fashion uma nova androginia na semana de moda masculina, ele segue apostando em cores, rendas, babados, decorativismos e combinações de ar vintage com um toque geek. Pense em bordados chamativos, flores de cetim, tecidos brilhantes, saias plissadas, óculos gigantes. Romântico e transgressor ao mesmo tempo. Para uma mulher descolada e extremamente contemporânea.

3. As estampas de cartão postal da Dolce&Gabbana

Foto: AFP PHOTO / GIUSEPPE CACACE

Se fossem compositores, Domenico Dolce e Stefano Gabbana cantariam seu amor pela Itália nos mais diferentes ritmos. Como são estilistas, fazem isso por meio das roupas. E que roupas. Impossível não embarcar na viagem da dupla e deixar-se levar pelas maravilhas da moda bem feita e das paisagens de Capri, Veneza, Roma, Portofino e Florença estampadas e bordadas, literalmente, em vestidos curtos de shape afastado do corpo, longos de renda e casacos supertrabalhados. É como se aquela camiseta da lojinha de souvenir para turistas ganhasse versão deluxe em uma festa de cores, tramas e texturas. 

4. Os tailleurs revisitados da Prada

Foto: Reprodução/ Instagram

Uma coleção inteirinha baseada em conjuntos de saia e blazers e casacos. Careta? Não se o trabalho em questão for da estilista Miuccia Prada, dona de uma estética ímpar e um talento único para criar imagens de moda tão interessantes quanto perturbadoras. Seus tailleus surgiram em padronagens e tecidos misturados - xadrez, listras, tweed, couro, organza, com transparência ou ornamentados por flores e bolas 3D. O efeito tridimensional, aliás, foi elevado à potência máxima pelas golas que lembravam redes de pesca e os brincos que pareciam bolas de Natal. 

5. O couro trabalhado da Fendi

Foto: REUTERS/Alessandro Garofalo

O couro é a expertise da Fendi. Criações avant gardé são a expertise de Karl Lagerfeld. A união das duas frases anteriores explica a coleção da grife, em que vestidos e saias de couro ultramacio ganharam detalhes em casinha de abelha (sim, aquele efeito geralmente usado em roupas infantis), em um trabalho primoroso de comfecção e modelagem. O desfile trouxe ainda uma série de looks corais, camisas e vestidos com mangas bufantes e gola alta, saias mídi de cintura marcada, pregas… Tendência atrás de tendência, sem contar as bolsas clássicas da Fendi, como a Baguette, com alças coloridas e aplicações de flores que têm vocação instantânea para virar hit. Mais Karl impossível.

6. O #fashionfun da Moschino

Foto: EFE/DANIEL DAL ZENNARO

Para o estilista americano Jeremy Scott, moda é diversão. Foi o que ele provou novamente em sua quarta coleção à frente da Moschino. Scott montou um lava-rápido na passarela e fez roupas com tecidos felpudos e franjas que representavam as máquinas de lavar. Letreiros de sinalização, luminosos e placas de trânsito compunham o cenário e os looks. Tudo misturado a elementos do cotidiano e da cultura pop, como uma estampa de spray de limpeza (!) e uma bolsa com o rosto da personagem Lindinha, do desenho "As Meninas Superpoderosas". Vale a hashtag #fashionfun.

7. A nova Pucci

Foto: Reprodução/ Facebook

Famoso por seu trabalho na MSGM, Massimo Giorgetti pertence à nova safra de jovens estilistas capazes de unir frescor, conceito e retorno comercial. Por isso mesmo, sua contratação para o cargo de diretor criativo da Emilio Pucci mostra que a grife quer rejuvenescer sua imagem. Em sua primeira coleção para a marca, Giorgetti tornou claro que não tem medo de fazer diferente e deixou de lado as estampas e o mood 60’s e 70’s característicos da casa italiana. Em vez disso, focou em silhuetas lânguidas, sobreposições e prints inspirados no fundo do mar (referência que, em alguns momentos, explorou de forma um tanto literal). A velha guarda da moda torceu o nariz, mas se é para frente que se anda, o caminho de Giorgetti promete.