'Queríamos mulheres com corpos diferentes', diz Renato Thomaz, da Água de Coco

Maria Rita Alonso - Especial para O Estado de S.Paulo

Diretor de marketing da marca de moda praia explica as ideias por trás da apresentação

O diretor de marketing de Renato Thomaz, de Água de Coco, com cantora Anitta no backstage do desfile

O diretor de marketing de Renato Thomaz, de Água de Coco, com cantora Anitta no backstage do desfile Foto: Luciana Prezia/Divulgação

Um Brasil otimista, diverso, colorido e cantado por Anitta: assim foi o desfile da Água de Coco por Liana Thomaz, que abriu a 45ª edição da São Paulo Fashion Week neste sábado, 21. Na passarela, estavam nomes como Carol Trentini, Ana Claudia Michels, Lola Gleich e Bruna Erhardt, representantes de um casting diverso em corpos, etnias e idades. São novos tempos para a grife cearense, em total sintonia com a moda – e o mundo – de agora.

A coleção, intitulada Brasil com Z, celebrou um Brasil otimista, tipo exportação, com direito a estampas de Zé Carioca, do Parque Lage, no Rio de Janeiro, e até referências aos babados típicos do figurino de Carmen Miranda. Com exclusividade, Renato Thomaz, diretor de marketing da Água de Coco, fala ao E+ sobre a importância de usar a moda como uma plataforma de transformação social.

A coleção é uma grande celebração da brasilidade. Como vocês chegaram a esse tema?

A gente escolheu esse tema porque é a primeira coleção atemporal da marca. Não vamos mais trabalhar com verão ou inverno, e achamos que nada melhor do que a brasilidade para marcar esse momento. Queria mostrar um Brasil feliz, diante de todo esse momento político e socioeconômico. O forte do Brasil é o brasileiro, então a gente quis levar isso pra cima. A gente está falando de Brasil, e Brasil é isso.

 

É a primeira vez que vocês apostaram em modelos de corpos diferentes. Você quis se conectar ao movimento feminista, com esse momento de democratização da imagem perfeita da mulher?

Como porta-voz da moda, a marca tem uma força que nos permite levantar bandeiras e defender algumas coisas. A moda em si já vem fazendo isso, discutindo até questões como os distúrbios alimentares na adolescência. Cada vez mais, se fala sobre modelos com anorexia, sobre casos de racismo. Como marca que vai abrir a semana de moda, quisemos usar os holofotes para trazer luz a esses assuntos.

 

E como foi a escolha do casting, que tem modelos magras, curvilíneas, mais velhas e até uma grávida [a modelo Ana Claudia Michels]?

A gente queria mulheres com corpos diferentes, mas que tivessem essa postura de passarela. Então procuramos também por algumas ex-modelos, como a Bruna Erhardt [que agora trabalha como booker em uma agência de modelos].

 

Como aconteceu o convite para a Anitta?

Quando a gente precisava definir a trilha sonora, que eu deixo sempre para o fim, tive uma reunião com o [DJ] Zé Pedro, que me disse: “Renato, vocês estão falando de um Brasil novo, de hoje, tem que ser Anitta”. Enquanto ele preparava essa trilha com músicas dela, em paralelo, fui falar com a própria. Liguei para ela e ela topou participar. Falei para o Zé: “Não precisa nem fazer a trilha, vamos ter Anitta ao vivo”.