Quantos amigos as pessoas realmente esperam que apareçam em seu aniversário

Roberto A. Ferdman - O Estado de S.Paulo

Como seres sociais que somos ainda nos apoiamos num pequeno círculo de pessoas buscando respaldo emocional

Apesar de compartilharmos fotos de viagens e reflexões sobre a vida com uma longa lista de amigos virtuais, a média das pessoas ainda conta com apenas algumas pessoas

Apesar de compartilharmos fotos de viagens e reflexões sobre a vida com uma longa lista de amigos virtuais, a média das pessoas ainda conta com apenas algumas pessoas Foto: Erin Kelly/ Creative Commons

Numa época em que as listas de amigos no Facebook estão na casa dos cem, - se não dos mil - nomes, é fácil alguém se sentir como se vivesse contando com enorme apoio emocional. Mas a verdade é que apesar de compartilharmos fotos de viagens e reflexões sobre a vida com uma longa lista de amigos virtuais, a média das pessoas ainda conta com apenas algumas pessoas.

Um novo estudo foi realizado por pesquisadores da Chapman University com mais de 25 mil pessoas para saber, entre outras coisas, o número de amigos que indivíduos de diferentes idades, gênero e orientação sexual sentem que são bastante próximos para esperar deles um certo apoio emocional. Os pesquisadores testaram os participantes com relação a três medidas separadas de intimidade - o número de amigos com quem esperavam comemorar seu aniversário, o número de amigos que achavam que poderiam telefonar para falar sobre sua vida sexual, o número de amigos que, no seu entender, poderiam telefonar ou mandar uma mensagem numa hora imprópria caso estivessem com problemas.

Os pesquisadores concluíram que as pessoas costumam esperar apenas entre cinco e dez pessoas para comemorar seu aniversário. O número de amigos com que, em média, uma pessoa se sente à vontade para debater assuntos particulares (como sua vida sexual) e para telefonar para ela tarde da noite, no entanto, é menor - algo entre quatro e sete pessoas.

Há uma pequena variação dependendo da idade. Indivíduos em torno dos 20 anos, por exemplo, tendem a esperar que apenas entre oito e dez pessoas venham para sua festa de aniversário, ao passo que aqueles com mais de 30 anos comemoram seu aniversário em geral com cinco a sete amigos. Gênero e orientação sexual teriam um efeito marginal também. É muito mais provável que homens gays e bissexuais e mulheres bissexuais esperem um número similar de amigos homens e mulheres para comemorar seu aniversário, ao passo que os outros tendem a contar mais com amigos do mesmo gênero. 

Tendência similar também emerge no caso de conversas sobre a vida sexual e telefonemas inesperados de madrugada.

Em parte o que é importante no caso destas conclusões é que elas sugerem um sutil, mas importante, avanço no tocante à igualdade de gênero e na aceitação social de gays, lésbicas e bissexuais.

"Nossas conclusões sugerem que diferenças de orientação sexual em número de amigos do mesmo gênero e transexuais são geralmente pequenas ou não existem, e a satisfação com amigos foi também importante para o bem-estar do indivíduo no geral no caso de todos os grupos. Uma dependência maior dos amigos entre homens gays, lésbicas e homens e mulheres bissexuais era mais constante no passado devido ao contexto histórico e o predomínio maior da homofobia". 

Mas a pesquisa também aponta para algo mais. Como seres sociais que somos - especialmente numa era em há uma inundação de plataformas que criam redes ilusórias de amigos íntimos - ainda nos apoiamos num pequeno círculo de pessoas buscando respaldo emocional.

Tradução de Terezinha Martino