Performance finaliza a SPFW celebrando diversidade

Isadora de Almeida - Especial para O Estado de S. Paulo

Ação da Natura tomou conta da Bienal na última quinta-feira, 31

Participantes da ação surgem para o público com uma chuva de papel picado

Participantes da ação surgem para o público com uma chuva de papel picado Foto: Juliana Knobel

A Natura ofereceu a oportunidade de 16 pessoas que não estão envolvidas oficialmente no sistema de moda a ‘hackear’ a São Paulo Fashion Week, ou seja, ter a oportunidade de criar uma coleção de moda e fazer parte de uma performance no espaço da Bienal durante a Semana de Moda. Com a mentoria de Victor Apolinário, estilista da marca CemFreio; Jackson Araújo, especialista em comportamento, tendências e moda; Marcos Costa, maquiador oficial da Natura, e Paulo Borges, responsável pela direção cênica, os participantes desenvolveram um desfile-performance artística que foi apresentado no encerramento do evento, na quinta-feira, 31.

Os escolhidos para participar da ação foram pessoas de todos os gêneros, raças e etnias, reforçando o mote #TodaBelezaPodeSer. De segunda à quarta-feira foram propostas roda de conversa entre estas pessoas, que discutiram padrões de beleza e imposições da sociedade. 

Participantes possuiam os mais diversos corpos, gêneros e raças

Participantes possuiam os mais diversos corpos, gêneros e raças Foto: Juliana Knobel

Entre os participante estava a cantora Aíla foi, o empreendedor social Bruno Capão; a jovem Monalissa Oliveira, que aprendeu a trançar cabelos para complementar a renda mensal e fez disso sua ferramenta de empoderamento; o multiartista Jup do Bairro; o performer Urias; e a Camila Guimarães designer que mudou a vida quando descobriu um câncer; entre outros participantes com tipos diversos de beleza e histórias de vida. 

Aíla é paranaense e nasceu no bairro de Terra Firme, na periferia de Belém do Pará. Ela se define como “artivista”, unindo arte e ativismo em seu trabalho: “Meu desejo é aproximar canções pop do discurso ‘artivista’, em busca de uma poesia mais política. A gente canta, dança, se diverte, mas cada canção é uma expressão de resistência”, diz. “Somos responsáveis pela construção de espaços de debates, de diálogos”. A cantora divide que o processo foi “engrandecedor”: “Conhecer aquelas 15 pessoas, com histórias tão diversas e potentes, me fez entender ainda mais o quanto reunir pessoas em uma ação coletiva pode ser transformador”. 

Aíla e outros participantes do projeto

Aíla e outros participantes do projeto Foto: Juliana Knobel

Na quinta-feira, 31, a performance começou logo após o desfile da marca Ratier. Aíla e Jup do Bairro estavam no palco fazendo intervenções com a suas vozes, enquanto Apolinário recitava palavras de ordem, de um local do qual não podia ser visto. Em certo momento, Jup apontou para o horizonte e, do outro lado da Bienal, os outros 14 participantes se revelaram, usando os looks criados durante a semana. Uma chuva de papel picado tornou a atmosfera emocionante. Puxados pelo estilista da marca Cem Freio, o grupo andou em uma fila até o centro do segundo andar da Bienal, onde ficou parado enquanto Apolinário continuava a recitar o seu protesto, que falava sobre questões raciais e de gênero. Ao final, todos subiram ao palco para serem aplaudidos por todos os convidados da SPFW. “Fiquei muito emocionada ao ver tanta gente chorando, sorrindo, feliz”, diz Aíla. E concluiu, questionando: “Quem imaginou que uma menina vinda de uma das maiores periferias da América Latina, a Terra Firme, poderia fazer parte de um desfile no maior evento de moda do Brasil?”.