“Ouvi 'não' por muito tempo, agora que está dando tudo certo”

Marília Marasciulo - O Estado de S.Paulo

A modelo e apresentadora catarinense vai comandar um programa de concurso de beleza com candidatas de mais de 300 cidades do País, que estreia no domingo, 20

Aos 27 anos, Renata Kuerten é um dos principais nomes da moda brasileira e começa sua carreira de apresentadora

Aos 27 anos, Renata Kuerten é um dos principais nomes da moda brasileira e começa sua carreira de apresentadora Foto: Divulgação

Com 15 anos de carreira, a modelo Renata Kuerten já desfilou para grandes grifes, estampou capas das principais revistas e rodou o mundo trabalhando. Mas foi em 2015 que viu, finalmente, sua popularidade crescer. À frente do programa “Chega Mais!”, da Rede TV!, a catarinense da cidade de Braço do Norte mostrou que tem, além de um corpo sarado e um rosto de boneca, simpatia e desenvoltura. “Eu ouvi 'não' por muito tempo, agora que tudo está dando certo”, afirma. No domingo, 20, a modelo passa a comandar o programa “Conexão Models”, também na Rede TV!, no qual entre outras atrações, apresentará um concurso de beleza com candidatas de mais de 300 cidades do País. Ao Estado, ela fala sobre sua trajetória e os planos para o futuro.

 

Você começou a carreira há 15 anos e vencer um concurso de beleza foi um dos fatores cruciais no início. Como se sente agora do outro lado?

Sempre quis ser modelo, mas nunca conseguia. Aí eu resolvi mudar, usei aparelho, deixei o cabelo crescer, investi nisso. Ao ponto de que quando me diziam que eu era baixinha, eu me esticava, porque minha mãe dizia que isso ia ajudar a crescer. Coisa de povo da roça (risos). Até que com 15 anos eu mudei, virei uma menina de verdade. Aí estava tendo esse concurso na minha cidade e quem vencesse ganhava passagem para São Paulo. Eu e uma amiga ficamos em primeiro e eles tiveram que dar o prêmio para as duas, então viemos juntas para cá. Ela acabou ficando, eu fui morar em Paris e de lá rodei o mundo inteiro para trabalhar. Quando voltei para São Paulo com o material que tinha feito lá fora, bati o recorde de desfiles na São Paulo Fashion Week e no Fashion Rio. Foram 52! E na mesma época estava tendo um concurso chamado Dream Team e eu fiquei em segundo lugar. Olha, gente, como eu era um sucesso nesses negócios! E foi aí que tudo começou. Eu me sinto privilegiada por estar do outro lado agora.

Então os concursos realmente ajudam. 

Acho que toda menina deveria participar de concurso, porque se você começa sozinha tem que sofrer e ralar muito para conseguir chegar a achar uma agência. O concurso ajuda nisso, porque o prêmio em geral é um contrato com alguma agência. E também dá visibilidade. Além de que você passa por várias provas, é um aprendizado. 

 

O que procura nas participantes?

Como eu já passei por isso, sei de tudo que precisa. Mas o mais legal neste concurso, o Atroveran Mega Models, é que ele mudou um pouco o foco. Geralmente, procuram uma menina novinha, alta, magra, fashion. Agora, não. O perfil é dos 15 aos 30. Hoje, além de ter postura, uma aparência bonita e saber se comportar, é preciso ser inteligente, carismática, simpática, saber se comunicar e usar bem as redes sociais. É essencial ter personalidade, mostrar a que veio. Mostrar por que ela merece ganhar 500 mil reais. É muito dinheiro! Hoje não basta mais só ter o perfil clássico de modelo, tem todos esses pontos extras. Sem contar que são muitas concorrentes, porque a faixa etária vai até 30. Até eu queria me inscrever de novo, mas não deixaram. (risos)

 

Que conselho daria a uma aspirante a modelo?

Foco, disciplina, persistência, gratidão, respeito pelas pessoas. Porque é um mundo onde você tem portas abertas para tudo, onde você ganha tudo. É muito glamuroso, tudo muito maravilhoso. Mas se você não tiver pé no chão e uma base sólida, acaba ficando deslumbrada. E deslumbre, gente, derruba a pessoa em meia hora. E se preparar para ouvir "não". Eu ouvi "não" por muito, agora que está dando tudo certo.

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O que é beleza para você e o que a faz se sentir bonita?

Acho que beleza é você gostar de você, acreditar em você, confiar em você, ser feliz, para cima. Levar a vida leve. Não só usar roupas maravilhosas. Às vezes isso não significa nada. Você não vê a Gisele? Ela anda de chinelinho e regata, porque ela está bem com ela, ela tem uma luz própria. Ela é feliz, espontânea. Isso que é ser bonita.

 

Como cuida do corpo, do cabelo e da pele?

Não tenho nenhum cuidado muito específico com a pele. Nunca fui a um dermatologista na vida, uso cremes bem normais e só faço drenagem no corpo. Às vezes é frescura, tem gente que nem precisa e faz isso. Do cabelo eu cuido, costumo ir ao salão para tratamentos. Mas adoro malhar. Faço musculação, personal, muay thai. Já fiz circo, ioga, tudo que você pode imaginar. Mas faço porque gosto, não por obrigação. Agora estou aprendendo a correr, mas é tão difícil, é tudo psicológico. Às vezes fico na esteira rezando pai nosso, o rosário, um terço e não acaba nunca!

 

Você é religiosa?

Eu sou católica. Tenho muita fé. Tudo que eu desejei, consegui, então acredito muito! Era meu sonho ter um programa só meu, mas era algo que pensava para daqui a dez anos. E olha aqui eu com meu programa? Sucesso!

 

Você costuma brincar que 'continua sendo a mesma caipirinha de sempre', por ter nascido em uma cidade pequena no interior catarinense. Agora que leva uma vida super agitada, sente falta de algo daquela época?

Sempre falo que continuo igual, só com uma continha mais gorda no banco. Quando sinto falta da minha cidade, e eu sinto saudade, vou para lá. Minha família tem uma alegria, parece que todo mundo nasceu num poço de felicidade. Sinto falta do interior, as pessoas são muito bondosas e ingênuas. Tudo é mais simples, parece que não há problemas, não tem nervosismo.

 

Qual foi sua maior dificuldade ao estrear na TV?

No começo, como não tinha intimidade com a câmera, eu ficava muito nervosa. Quando acendia a luzinha vermelha, parecia que travava. Eu também não sabia ler teleprompter, pois o texto passava muito rápido. Até pegar essas coisas acho que leva um tempo. Mas acho que a postura de modelo, de saber se impor na frente de uma câmera e entender de luz ajudou muito.

 

Onde se vê no futuro?

Menina, estava pensando em ser apresentadora daqui a dez anos. E agora, o que eu faço? Eu pensava: "imagina, ter um programa com meu nome?" e agora eu já tenho, "Conexão Models, com Renata Kuerten"! Então espero fazer sucesso com o programa, claro, mas principalmente fazer o que eu faço bem, estudar para melhorar. Eu não quero ser só um rostinho bonito. Quero mostrar que sei apresentar, conduzir um palco, isso é importante.