'O que me inspira são coisas muito cafonas', diz Jana Rosa

Anna Rombino - Especial para o Estado de S. Paulo

Proprietária da marca 'Agora Que Sou Rica' fala de empreendedorismo e mercado de moda

Jana Rosa é empresária e digital influencer

Jana Rosa é empresária e digital influencer Foto: Ali Karakas/Cravo & Canela

Janaína Rosa é mil e uma utilidades. Autora de dois livros, digital influencer, stylist e agora empresária. No final de 2016, a paulista transformou o seu blog 'Agora Que Sou Rica' em um e-commerce especializado em pochetes. Os modelos com glitter foram a sensação do último carnaval. Agora, ela pretende expandir a gama de produtos com outros acessórios e roupas. 

Jana foi uma das convidadas do evento #ElasInspiram, armado pela marca Cravo & Canela, e falou de empreendedorismo feminino e de sua empresa. "Sou tudo... CEO, social media, estilista e motoboy", brinca. 

Em entrevista ao E+, ela contou as dificuldades de abrir um negócio, as curiosidades mercado de moda nacional e suas inspirações. 

Como surgiu a ideia de transformar o 'Agora Que Sou Rica', que era um blog, em marca? 

Minha maior inspiração foi que, além de querer usar e fazer coisas lindas, eu odiava tudo o que fazia profissionalmente. Só me davam 'job lixo' (sic) e eu ia 'morrer' de tristeza fazendo esses trabalhos. E eu não sabia como virar empreendedora. Nunca tinha feito, mas sentia que precisava criar uma profissão pra mim. 

Por que decidiu começar com pochetes? 

Sabia que elas iam bombar no Carnaval. Já estavam na moda entre o pessoal mais moderno de São Paulo e do Rio de Janeiro. Fiz pensando que iriam fazer sucesso e me dar dinheiro para investir em outras coisas. 

Você esperava um sucesso tão grande? Os produros se esgotaram antes do Carnaval. 

Não imaginava. Fiz 50 peças de cada cor em novembro, pensando em vender até fevereiro, só que todas esgotaram antes do Natal. Foi muito legal. Qual marca que, com um mês de vida, já está bombada? 

Quais são as suas inspirações? 

Quando comecei a fazer as pochetes, tinha acabado de voltar da Coreia do Sul. Fui sozinha e entrei em lojas de produtos para crianças e festas de aniversário. Comprei muitas coisas. Sou acumuladora. Entre as minhas compras, tinha uma tiara de glitter, e eu já usava pochete. Pensei 'bom, vou fazer uma de glitter'. Mas o que me inspira sempre são coisas muito cafonas. Lojas de R$ 1,99, rua 25 de Março, Brás... 

 

Nossa pochete grafite é TUDO na vida!

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Quais são as suas maiores dificuldades como pequena empreendedora? 

A principal é o dinheiro, tanto para investir quanto para viver da marca. É legal fazer uma coisa que amo, mas essa coisa nem sempre paga seu salário de primeira. No começo eu não sabia como ter uma marca. Não tinha ideia como fazer um e-commerce, tirar a foto para colocar na internet, chegar nas pessoas... Minhas dificuldades são técnicas. E também competir com marcas grandes. Às vezes você cria um negócio e a marca que está no shopping faz a mesma coisa. Você passa a competir com uma coisa mais barata e com maior alcance. 

Você tem mais de 93 mil seguidores no Instagram. As redes sociais te ajudaram na hora de divulgar sua marca?

Não acho que estar na internet me ajuda, porque o público da 'Agora Que Sou Rica' é mais velho. Eu criei uma marca para pessoas como eu, que tenho 31 anos, trabalho e às vezes tenho uma grana para comprar algo bonito para eu usar, mas não quero ir ao shopping. Estou começando um público novo, conquistando pessoas com isso. O pessoal que me segue é mais novo, é quem me assistia na MTV. 

Mas a internet continua sendo o seu principal meio de divulgação.

Ajuda, mas às vezes atrapalha. Faz dez anos que eu sou conhecida na internet. Elas acham que me conhecem pelo o que eu posto e podem ou não gostar de mim. Algumas já não gostam da minha marca, porque elas acham que não gostam de mim, porque elas acham que me conhecem. Mas tem horas que ajuda. Eu falo muito, dou cumpom de desconto, as pessoas acessam... Tem os dois lados. 

Você era jornalista de moda e agora voltou para a área como empresária. Como está enxergando esse universo? 

Acho interessante voltar como marca. Ia na São Paulo Fashion Week, me envolvia com as pessoas que estavam no topo da moda. Como marca pequena, você não se envolve mais. Eu não tenho contato nenhum com isso. Acho mais real, sentia falta. Quando eu trabalhava como repórter, sabia que era uma coisa que pagava pouco dinheiro e era uma ilusão. Agora com a marca, você ganha pouco dinheiro, mas não é uma ilusão. 

Quais são os próximos passos da 'Agora Que Sou Rica'? 

Vou fazer roupas, outros acessórios e talvez uma parceria com uma marca de sapatos.