O novo Herchcovitch

JORGE GRIMBERG - O Estado de S.Paulo

À frente da À Lá Garçonne, estilista deixa a cultura de noite para trás e inicia nova fase na SPFW ao lado do marido, Fábio Souza

A estreia da marca À La Garçonne com a assinatura de Alexandre Hercovitch parou a Bienal no fim da tarde desta quarta-feira, 27. Figuras importantes do universo da moda, como Tufi Duek e Vitorino Campos, esperaram em pé quase uma hora e meia para entrar na sala e ver o Alexandre pós Herchcovitch. "Foi desafiador. A coleção ficou pronta em 45 dias. O desafio foi criar para uma marca que eu já conhecia. A À La Garçonne existe há 8 anos, mas a primeira coleção foi confeccionada agora", disse o estilista.

A marca começou como uma loja de roupas vintage, com a curadoria meticulosa de Fábio Souza, marido de Alexandre. Hoje, a loja na rua Francisco Leitão em Pinheiros é especializada em móveis antigos. "O Alexandre teve a ideia de transpor o conceito que eu já tinha desenvolvido a longo desse tempo para a passarela", contou Souza. A coleção teve um clima de nostalgia calmo. "Criamos em cima de peças antigas que customizamos", contou Herchcovitch.

À frente da À Lá Garçonne, Herchcovitch deixa a cultura de noite para trás 

À frente da À Lá Garçonne, Herchcovitch deixa a cultura de noite para trás  Foto: Daniel Teixeira / Estadão

Alguns elementos característicos do trabalho dele estavam presentes, como o xadrez escuro e a alfaiataria estruturada, mas peças leves e estampas pintadas a mão com símbolos náuticos quebraram a dureza típica do estilista. "As peças foram feitas  com tecidos que são antigos, garimpados  em São Paulo e Nova York, novos ou reciclados."

Alexandre estava leve e feliz após o desfile. Ao lado do marido, um novo começo, sem a pressão de um grande grupo e com muita liberdade, palavra que ele usou muitas vezes durante a entrevista. "As possibilidades são infinitas. Temos muita liberdade", declarou.

A marca já nasce com fortes parceiros. A Hering desenvolveu uma linha de T-shirts e a Converse produziu uma série de tênis. "Queremos falar de luxo de maneira diferente. Queremos falar de qualidade não importando o valor", afirmou o estilista. 

Daniel Teixeira / Estadão
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Peças interessantes, como casacos antigos de cashmire dos anos 60, foram reformados com novas lapelas. Um vestido de festa se mistura com uma bermuda de moletom. "Quisemos mostrar um guarda-roupa como o nosso, com tudo misturado e livre. Esse é o espírito", disse Herchcovitch.