O luxo no Brasil dos novos tempos

Carlos Ferreirinha - O Estado de S.Paulo

O Brasil dos novos ricos, ricos tradicionais e o Brasil dos novos ricos vindo da classe média estão revolucionando o mercado

Nos últimos anos, a desigualdade social no Brasil tem diminuído. Pouco a pouco, o grande volume de pobres se incorpora à classe média e, paralelamente a isso, também há um aumento entre o número de novos ricos. Este movimento, que muitas vezes é silencioso, tem transformado o país, principalmente em regiões que até bem pouco tempo sequer considerávamos capazes de surpreender pelo consumo aspiracional.

Já temos no Brasil a maior concentração do mundo de helicópteros sobrevoando uma cidade urbana, caso de São Paulo. E o que dizer de Recife ter se tornado a cidade com o maior consumo de whisky red label Johnny Walker do mundo? A mesma região do nordeste abriga hoje o Shopping Riomar, o primeiro empreendimento comercial a levar operações diretas de marcas de luxo como Burberry, Hugo Boss, Prada, Ferragamo, Gucci. E nas regiões norte, nordeste e centro-oeste, a M.A.C tem um dos mais expressivos resultados de vendas na região da América Latina.

Macaé, cidade distante dos principais centros do Rio de Janeiro, se tornou um dos mais relevantes incrementos percentuais de metro quadrado imobiliário. Ribeirão Preto teve recentemente a abertura do Iguatemi e, devido a esta abertura, a marca Diane von Fustemberg chegou ao interior.

Em menos de cinco anos, os brasileiros estão entre os cinco melhores consumidores de luxo no mundo.
A Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, que era até muito pouco tempo apenas o local dos chamados emergentes, termo usado de forma pejorativa, recebeu o Village Mall, que abriu as portas quebrando o tabu de que marcas de luxo tradicionais jamais operariam fora da tradicional zona sul carioca, como Leblon e Ipanema.

Florianópolis teve no período de dezembro a março um dos melhores resultados de consumo de champanhe, e Curitiba recebeu o Shopping Patio Batel, celebrando assim a chegada de marcas como Louis Vuitton, Prada, Valentino e Burberry.

Não se pode também deixar de lado o significativo aumento de consumo de vodcas premium, como Belvedere, Ciroc e Grey Goosem em cidade como o Rio de Janeiro, que até então estava afastada do consumo de destilados premiums. Esse mesmo Brasil tem sido o país de lançamentos imobiliários de alto padrão - Maranhão, Piauí, Fortaleza e João Pessoa são alguns dos lugares que receberam esse tipo de empreendimento.

Até 2012, o Brasil liderava o número de “novos ricos” no mundo. Chegamos a produzir quase 19 milionários ao dia, segundo reportagem da revista norte-americana Forbes. E o mais impressionante é o fato de que quase metades destes novos ricos possuem menos de 35 anos de idade. O resultado disso tem sido o aumento do consumo de luxo global entre os brasileiros endinheirados. Em menos de cinco anos, os brasileiros estão entre os cinco melhores consumidores de luxo no mundo. Para algumas marcas, o segundo melhor.

Já somos líderes de consumo de luxo em cidades como Miami, e estamos entre os 3 melhores em todo o mercado dos EUA. Na França, o consumo dos brasileiros na Gallerie LaFayette teve o maior crescimento entre todos os clientes mundiais. Montadoras como BMW, Audi e Mercedes retornaram a fabricação no Brasil - e a Embraer segue comercializando aviões particulares para os brasileiros de todo o país.