O glamour decadente do figurino de 'Ópera do Malandro'

Mariana Belley - O Estado de S.Paulo

Trinta e seis anos depois de sua estreia, a peça musical de Chico Buarque tem nova montagem com figurino inspirado em Gaultier, McQueen e Chanel

Atores em cena vestem figurino inspirado nas criações de estilistas como Chanel, McQueen e Gaultier

Atores em cena vestem figurino inspirado nas criações de estilistas como Chanel, McQueen e Gaultier Foto: Bob Sousa/Divulgação

 

Kleber Montanheiro, diretor do espetáculo, coloca em cena 18 atores que interpretam 16 canções de Chico Buarque, com cenário inspirado na poltrona Favela, dos irmãos Campana, e figurino inspirado em grandes nomes da moda, como Jean Paul Gaultier, Alexander McQueen e Coco Chanel. O diretor conta que a escolha por esses estilistas nasceu pela teatralidade dos desenhos. "Acho os croquis deles muito teatrais, por isso acabei trazendo um pouco dessas referências para os desenhos da peça, apesar de serem muito diferentes. Para fazer a personagem Dorinha Tubão, por exemplo, eu me inspirei muito na própria Coco Chanel por ser clássica. Ela é a chefe do Bordel do personagem Duran, então trabalhei como se fosse uma governanta."

Para os homens, Montanheiro pensou na desconstrução da alfaiataria. "Trabalhei muito com as sobreposições, que já vimos muito nas coleções do Gaultier. As grandes mangas, retirei no McQueen." Gaultier ainda foi referência na escolha da cor do figurino."Queria que fosse todo preto, uma escolha que cria atualidade para o 'malandro' e o Jean Paul Gaultier sempre usou muito os tons escuros. Minha ideia era criar um glamour decadente."

Kleber conta que quando quis em tratar sobre esse glamour decadente imediatamente pensou nos estilistas. 'Primeiro lembrei do Gaultier e do McQueen, depois veio a Chanel. A peça fala um pouco da decadência de uma tradição, de uma família, de negócios, então pensei que a Chanel daria um pouco da tradição que eles não alcançam."

Para confeccionar os modelos, Kleber usou rendas, veludos e algodão, sem tecidos sintéticos e com cara de alfaiataria. "Sem caimentos bacanas porque a ideia é 'não ficar como deveria ser' para criar a ideia de decadência", explica. 

Os figurinos femininos foram criados com tecidos transparentes, enquanto os masculinos priorizam o algodão mais rústico. Para contrastar com os tons escuros das roupas, os acessórios são prata. As prostitutas abusam de colares, brincos e pulseiras. Como finalização do figurino, eles foram envelhecidos para criar um glamour distanciado, uma beleza decadente que reforça a crise vivida pelas relações durante a peça.

A estreia do espetáculo faz parte do projeto Chico 70, viabilizado em parte pela 23º edição do Programa de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo. Trata-se de um diálogo com a obra de Chico Buarque, no ano que ele comemora suas sete décadas de vida. A peça Ópera do Malandro fica em cartaz até 31 de agosto no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo. São 22 sessões de quarta a segunda, o preço do ingresso é de R$ 10.