‘Não tenho ciúmes dos bons, mas sinto raiva dos fakes’, diz Miuccia Prada

Redação - O Estado de S.Paulo

Em entrevista à 'Vogue' Brasil de setembro, estilista critica talentos falsos e supervalorizados

Miuccia Prada, diretora criativa da Miu Miu e da Para, num desfile da marca em setembro de 2016

Miuccia Prada, diretora criativa da Miu Miu e da Para, num desfile da marca em setembro de 2016 Foto: Max Rossi/Reuters

Um figura rara na moda, Miuccia Prada não tem conta pública no Instagram, nem badala em eventos mundo afora. Faz discretas aparições mesmo ao fim dos desfiles da Prada e da Miu Miu, marcas das quais é diretora criativa, em poucas ocasiões, concede entrevistas à imprensa.

À Vogue Brasil ela abriu uma dessas exceções, a primeira para um veículo nacional, numa conversa com a diretora de conteúdo do título, Silvia Rogar, publicada na edição de setembro que chega a partir desta sexta, 31, às bancas.

Ali ela fala de plásticas, de competição na moda, mulheres e feminismo. “Se quiserem sair na rua peladas, sexy, superestilosas, isso é fantástico, desde que seja por escolha própria”, diz. “O limite é você fazer o que gosta. Não para procurar marido rico, como costumo dizer de brincadeira. Amo a ideia de uma mulher corajosa.”

É exatamente o tipo de olhar que a estilista projeta em seus desfiles. “Eles respondem a um instinto do que sinto que é relevante naquele momento. Faço um trabalho que é como uma peça de teatro”, explica. “É claro que eu me importo [com críticas e reações]”, completa.

A conversa toca o ambiente de competição na moda, coisa que ela assume existir até entre nomes experientes como ela. “Não tenho ciúmes dos bons, mas sinto raiva dos fakes, da apreciação do fake”, confessa. Na entrevista ela ainda afirma estar gostando da ideia de envelhecer, sem ter feito nenhuma plástica. “Nunca fiz um lifting ou algo do gênero porque não acho que você deva parecer um dia sequer mais jovem. Não quero soar intelectual, se visse algo que tivesse um grande resultado, eu faria. Mas não vejo nada fantástico nisso”, avalia.

No texto ela ainda relembra da juventude, fala de sua primeira viagem ao Brasil (aos 16 anos), da formação em política e de comunismo. “Foi um grande problema para mim por muitos anos. Enquanto se lutava pelos direitos das mulheres, me tornar uma estilista parecia tomar o caminho oposto. Hoje acho este um trabalho muito sério e complexo.”

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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