Mulheres negras contam seus desafios

Maria Eduarda Chagas - O Estado de S.Paulo

“Talvez se eu fosse branca, teria sido mais fácil”, diz a cantora Elza Soares

Dia da Consciência Negra. “Você sente que, por ser mulher e negra, teve que enfrentar mais desafios? Quais?”. Repetimos a pergunta para mulheres negras, de diferentes áreas.

A divulgação do Mapa da Violência, no início do mês, foi um dos motivos para a questão. O estudo indicou que, em 2013, proporcionalmente, morreram assassinadas 66,7% mais negras do que brancas.

Além disso, de acordo com dados do último Censo, 4,4 milhões de mulheres brancas recebiam mais de três salários mínimos em 2010. Quando se trata de mulheres negras e pardas, o número cai para 1,3 milhão. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 24,85% da população era formada por mulheres brancas, enquanto negras e pardas correspondiam a 25,38% da população. Isso significa que mais mulheres se consideraram negras ou pardas, mas elas têm rendimentos inferiores, em comparação com as brancas. 

Para a socióloga Vânia Penha Lopes, professora da universidade norte-americana Bloomfield College, em Nova Jersey, ainda existe racismo, apesar de ele ter diminuído consideravelmente ao longo dos últimos séculos. “Muitos ganhos foram obtidos, principalmente na segunda metade do século XX. Porém, isso não quer dizer que o racismo e o sexismo tenham desaparecido, pois ambos servem de alicerce para o funcionamento da sociedade”, afirma. Veja o que disseram as mulheres.