L’Oréal investe R$ 120 milhões em novo centro de pesquisa no Rio

Gabriela Marçal - O Estado de S.Paulo

A Kérastase, uma das marcas do grupo, completa neste ano 50 anos de existência e 20 anos de atuação no Brasil

Projeto vai dobrar o número de pesquisadores, de cem para 200 e será o quinto centro do tipo no mundo

Projeto vai dobrar o número de pesquisadores, de cem para 200 e será o quinto centro do tipo no mundo Foto: Divulgação

Uma das principais empresas internacionais voltadas para o tratamento capilar, a Kérastase completa neste ano cinco décadas de existência e 20 anos de atuação no Brasil. A marca nasceu em 1964, nos laboratórios de pesquisa avançada da L’Oréal a partir da busca do francês François Dalle, sucessor de Eugène Schueller, fundador da L´Oréal, para desenvolver moléculas exclusivas. 

Confirmando que a pesquisa científica está no DNA do grupo, R$ 120 milhões estão sendo investidos para a construção de um novo centro de pesquisa e inovação na Ilha de Bom Jesus, no Rio de Janeiro. Com uma área total de 29.500 m2, o projeto vai dobrar o número de pesquisadores, de cem para  200 e será o quinto centro do tipo no mundo. O empreendimento estará pronto em 2016 e terá como desafio criar produtos de acordo com o mercado brasileiro. Patricia Pineau, diretora de Comunicação Científica da L’Oréal, fala sobre pesquisas e os avanços da indústria da beleza durante esses 50 anos.

Quais foram os principais avanços da indústria de beleza nesses 50 anos?

Em mais de 50 anos, a L’Oréal participou fortemente das grandes mudanças na indústria da beleza, a primeira delas foi na área de pesquisa da biologia da pele, que contribuiu para uma melhor compreensão do envelhecimento da pele e do couro cabeludo possibilitando a prevenção e a reparação. Também progredimos na área da ciência material, agora temos corantes mais seguros e pigmentos mais tecnológicos, por exemplo. A realidade aumentada e conectada oferece novas experiências de consumo, como espelho virtual e sensores vestíveis. Microscópios cada vez mais poderosos permitem ‘biópsias virtuais’, o que significa visualizar e quantificar colágeno, elastina, melanina dentro da pele sem biópsia. A biotecnologia tornou possível o uso de ativos naturais sem alterar a biodiversidade. Atualmente, também temos uma avaliação mais assertiva: sabemos a eficácia e segurança de uma substância química antes mesmo de fazer a síntese da primeira grama. Na L’Oréal, com cruzamento de muitos dados e simulações, reconstruímos in vitro, por exemplo, a epiderme humana e os olhos.

O que mudou na indústria no que diz respeito aos testes em animais?

L'Oréal não testa qualquer de seus produtos ou a qualquer dos seus ingredientes em animais, em qualquer parte do mundo. A L’Oréal também não terceiriza essa tarefa para outras empresas. No Brasil, a L'Oréal nunca fez testes em animais. Na Europa, a regulação de cosméticos proibiu testar produtos em animais (em 2004) e ingredientes (em 2013). Na L’Oréal, paramos com testes em animais para ingredientes e produtos em 1989 - 15 anos antes da proibição.

Sobre o uso de produtos químicos agressivos à saúde e ao meio ambiente, o cenário é diferente de 50 anos atrás? 

O conhecimento científico tem aumentado, entretanto a percepção de risco por parte dos consumidores nem sempre tem aumentado no caminho certo. Quero dizer que eles são influenciados pelas partes interessadas que não fazem a diferença entre perigo e risco. Ainda assim, é importante dizer que a indústria de cosméticos é uma das mais seguras. Nossos produtos atendem normas de segurança para a saúde humana nos mais de 130 países em que são vendidos. Nunca tivemos que remover um ingrediente de nossos produtos por ter sido comprovado um risco para o consumidor. A decisão de remover, reduzir ou substituir uma substância é uma tarefa complexa e muitas vezes desafiadora. Impulsionada pela ciência e as expectativas dos consumidores, a empresa tem sido capaz de identificar ingredientes alternativos viáveis que possam atender aos muitos critérios e padrões, incluindo a segurança do consumidor, o impacto ambiental, a eficácia e o desempenho de todas as formulações.

As exigências e as expectativas dos consumidores são muito diferentes hoje? 

Sim e não. Sim, os consumidores estão mais exigentes quanto à eficácia. Eles querem resultado imediato ou que sonham em ter o efeito de uma cirurgia ou procedimento estético sem agulha! Também anseiam por produtos personalizados. Em alguns países, o impacto ambiental é uma preocupação, por isso investimos em centros de avaliação no mundo todo e assim

podemos descobrir novas aspirações e satisfazê-las. O aumento da longevidade traz também novas demandas e desafios. Não, porque os consumidores ainda não têm consciência do que a ciência pode fazer pela beleza. Por exemplo, eles ainda não sabem que a beleza do cabelo depende da saúde do couro cabeludo. Eles prestam atenção à pele do rosto, mas não ao couro cabeludo. Eles estão focados em suas rugas e, de fato, a idade é aparentada por muitos sinais, mas rugas não são o principal.

Para comemorar os 50 anos, a Kérastase lançou a Stemoxydine - nova molécula patenteada para tratamento de recuperação da densidade capilar. Quanto foi investido na pesquisa para descobrir Stemoxydine?

O valor exato eu não sei dizer, mas a pesquisa subjacente de Stemoxydine começou há 25 anos, quando um cientista decidiu acompanhar o ciclo do couro cabeludo de 14 homens por mais de 12 anos. A ideia era raspar um centímetro por mês e registrar com uma foto. Esse foi ponto de partida para descobrir a base de um tratamento que em três meses pode promover o crescimento de 1.700 novos fios de cabelos.