'Imagino que no futuro se use menos maquiagem'

Helena Tarozzo - O Estado de S.Paulo

O vice-presidente de desenvolvimento de produto da M.A.C Cosmetics fala sobre o futuro da maquiagem, a tendência de se usar cada vez menos produtos e as dificuldades de se estabelecer num mercado global cada vez mais exigente

Nick Gavrelis, vice-presidente de desenvolvimento de produto da M.A.C Cosmetics

Nick Gavrelis, vice-presidente de desenvolvimento de produto da M.A.C Cosmetics Foto: Divulgação M.A.C

Em tempos que a medicina e a indústria da beleza se tornam cada vez mais tecnológicas, o mundo dos cosméticos não poderia ter melhor lugar. Inovações não param e englobam avanços em busca das texturas perfeitas, da pele saudável e do melhor resultado com menor quantidade de produtos. Pioneiro em novas tecnologias para um mundo cada vez mais simples e compacto, Nick Gavrelis entrou na maquiagem como fotógrafo de moda e atualmente desenvolve todas as linhas da empresa canadense, onde atua desde os anos 80. Responsável por ícones da marca como a Studio Sculpt Foundation e a linha Mineralize, ele sabe bem o que a mulher contemporânea precisa para estar com a maquiagem perfeita. Entre produtos cada vez mais eficientes e uma nécessaire cada vez menor, ele garante que o futuro da maquiagem é bem excitante - tanto para ele, quanto para as mulheres. 

Existe um movimento de se usar cada vez menos maquiagem?

A tecnologia atual tem como objetivo responder a essa nova mulher e aos profissionais de maquiagem, que cada vez mais tem acesso a maquiagens mais leves e menos texturizadas de pigmentos. Nos últimos oito anos foram criadas novas combinações de polímeros que criam a superfície da pele quando você aplica uma base, um BB cream ou um hidratante colorido. Trata-se de uma camada muito fina de produto, que parece ter menos pigmento,mas na verdade, tem o mesmo tanto, o que ele faz é dar a impressão de ser menos maquiagem. Para os maquiadores isso é realmente um sonho, porque eles não querem esconder a natureza e a sensualidade da pele. E para as mulheres é um presente também, porque ajuda a simplificar a rotina. Ela não tem mais que usar e carregar três ou quatro produtos diferentes e, ainda assim, tem o mesmo efeito. Isso é muito moderno, especialmente para mulheres urbanas, que precisam se maquiar no metrô ou no ônibus. Os avanços na maquiagem acabam andando junto com os avanços culturais.

Quais são os maiores desafios para ser inovador em maquiagem hoje em dia?

Para nós, atualmente, é lidar com o mercado global. Como atuarmos muito independentes em cada país e nosso alcance é muito grande, temos muito trabalho em conversar com os governos e suas políticas. A dificuldade aparece quando temos que registrar um novo produto com novos ingredientes ou testar uma fórmula nova. Mas é um ótimo desafio, pois sabemos que existem enormes oportunidades pelo mundo para conseguirmos produtos diferentes e inovadores. 

E quando se fala de produto, há muitas dificuldades para se criar algo inovador?

Nesse caso, as maiores dificuldades estão em conseguir uma maquiagem com um FPS mais alto, que se porte bem em produtos para todos os tipos de pele, das mais claras às mais escuras. E isso é algo que estamos trabalhando duro há muitos anos. O que mais uma vez esbarra na questão de agentes governamentais. 

Ultimamente só se fala de BB e CC Creams. Você os considera revolucionários?

Não acho que são revolucionários por sua fórmula. Esse tipo de creme hidratante foi inventado nos anos 50 na Alemanha, a novidade é ter cor, um FPS mais alto e trazer benefícios para a pele. Reunir tudo isso em uma coisa só é muito bom.

Os produtos vão ser cada vez mais multifuncionais?

Acho isso muito importante, pois não só mulheres comuns, mas também os profissionais de maquiagem querem produtos que possam ser usados em mais de uma área do rosto e do corpo. Por exemplo, com aquilo que você usa para as bochechas, você contorna os olhos e ainda bronzeia a perna. Mas existem grandes dificuldades para marcas como nós, de saúde e de medidas regulatórias, pois não são todos os pigmentos permitidos para uso nos olhos e na boca. Minha grande preocupação sempre são os olhos. Precisamos ficar atentos com possíveis irritações que esse multiuso possa causar. Nós não podemos nos arriscar tanto nessa área como marcas menores, que não estão sob aval legal e lançam esse tipo de produto. Acreditamos muito em produtos que são mais de uma coisa ao mesmo tempo: é um primer? é um filtro solar? é uma base? Melhor ainda se aliar alta performance e for bom para a pele. 

O que é o futuro da maquiagem para você?

Uau! Acho que será muito excitante, tantas coisas mudaram nos últimos 30 anos, sobretudo nos últimos 10… Imagino que teremos FPS cada vez mais altos, tons mais escuros que permitam criar bases cada vez mais escuras para peles negras, produtos de alta duração, cada vez mais naturais e suaves para o toque e para a vista. Serão produtos com menos pigmentos e com benefícios ópticos na maneira de refletir a luz. E eu imagino que no futuro se use menos maquiagem, sejam bases ou batons, usados em pouca quantidade concentrada e com grande impacto. Estamos cada vez mais trabalhando com nossos cientistas para conseguir reunir mais benefícios para a pele - cuidados básicos que cada vez serão melhores para levantar, esculpir, hidratar e controlar a oleosidade da pele e, ao mesmo tempo, corrigir imperfeições e proteger a pele. São muitas coisas para pensar pela frente, tanto para as mulheres como para mim, que desenvolvo produtos. Mas eu posso garantir: as mulheres vão amar!