Ginástica para o cérebro desenvolve habilidades e mantém a mente jovem

Raquel Brandão - O Estado de S.Paulo

A neuróbica propõe mudanças na rotina que melhoram a capacidade de atenção e concentração, além de retardar doenças como Alzheimer

A neuróbica propõe mudanças na rotina que melhoram a capacidade de atenção e concentração, além de retardar doenças como Alzheimer

A neuróbica propõe mudanças na rotina que melhoram a capacidade de atenção e concentração, além de retardar doenças como Alzheimer Foto: Rymtok/Creative Commons

Esquecer palavras ou encontrar dificuldades para resolver situações são alguns dos sinais de que o cérebro precisa entrar em forma. A ginástica para a mente é conhecida como neuróbica, conceito criado pelo neurocientista americano Larry Katz, autor do livro Mantenha seu Cérebro Vivo. “A neuróbica é uma ideia nova e, por isso, não há comprovação científica sobre sua eficácia, mas é de bom senso exercitar o cérebro”, explica o neurologista da Unifesp Ivan Hideyo Okamoto.

Os exercícios para o cérebro funcionam a partir da reserva cognitiva, ou seja, seu conhecimento acumulado para desenvolver mecanismos capazes de superar alguma dificuldade. “Uma pessoa, quando esquece uma palavra, busca outra forma de se expressar. Se tiver mais recurso cognitivo, vai arranjar uma metáfora ou um sinônimo. Depende do seu repertório”, diz Okamoto.

Estudos como os do neurocientista Katz têm comprovado que o cérebro humano é capaz de se reorganizar se for corretamente estimulado. “Antigamente existia a ideia de fatalidade genética: a pessoa nascia com um certo grau de habilidade e não se desenvolvia mais. Hoje, ter várias habilidades é uma questão de decisão pessoal”, conta Antonio Guarini Perpétuo, presidente fundador do método Supera.

Não existe idade para começar a exercitar o cérebro. De acordo com Okamoto, uma das únicas formas de medir a reserva cognitiva de uma pessoa é pelo estímulo educacional, que deve acontecer desde o começo da vida."Se a pessoa for menos escolarizada, terá menos reservas e, assim, não conseguirá desenvolver tantas estratégias.”

Segundo Perpétuo, seus alunos vão desde os cinco até os 101 anos de idade e têm diferentes necessidades. Os jovens buscam melhor desempenho acadêmico; os adultos, o profissional; e os idosos querem envelhecer e manter o cérebro saudável. “Além de desenvolver habilidades, a ginástica cerebral é importante para manter a mente jovem e evitar as doenças degenerativas.”

Retardar e até evitar tais doenças é uma preocupação cada vez mais comum. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o Alzheimer, por exemplo, afeta atualmente entre 24 e 37 milhões de pessoas. “Uma pessoa que está chegando aos 70 anos e aumentou sua reserva cognitiva, provavelmente conseguirá adiar o surgimento de um quadro demencial”, esclarece Okamoto.

Alguns métodos especializados oferecem testes computadorizados, como jogos, para ganhar velocidade de processamento, tempo de resposta, capacidade de atenção e concentração. Porém, existem algumas formas simples de melhorar o desempenho do cérebro. “Tire seu cérebro da zona de conforto com coisas novas, variadas e desafiadoras”, sugere Perpétuo. Veja a seguir algumas dicas para fazer algumas mudanças na rotina:

Stringer/Reuters
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