Exposição em Nova York retrata influência da China na moda ocidental

Patricia Reaney - O Estado de S.Paulo

Com 150 vestidos, trajes típicos e acessórios de 40 estilistas, a mostra aberta ao público na última quarta, 7, é uma das maiores já exibidas no Metropolitan Museum

Oriente e Ocidente se encontram na nova exposição do Metropolitan Museum, em Nova York, que compara a arte, a cultura e o design chineses, da China Imperial aos dias de hoje, à moda ocidental. Batizada de “China: Through the Looking Glass” (“China: Através do Espelho”), a mostra foi organizada durante dois anos e ocupa uma área de 2.700 m2, distribuída em dois andares e diversas galerias. Durante o percurso, o visitante acompanha como os estilistas ocidentais encontraram inspiração em diversos elementos da cultura chinesa, dos trajes bordados da China Imperial nos anos 1920 ao uniforme militar da Revolução Cultural de 1966.

"Trata-se de uma exploração profunda das influências da arte e do cinema chineses no trabalho dos maiores talentos da moda”, afirma Thomas P. Campbell, diretor e CEO do museu. Por se referir à descoberta de um novo mundo, o nome da exposição provém de um clássico da literatura, o romance publicado por Lewis Carrol em 1971, "Through the Looking-Glass and What Alice Found There" (“Alice Através do Espelho e o que Ela Encontrou por Lá”). "Como o mundo encantado de Alice, a China representada na moda na exposição é ficcional e fabulosa, que oferece uma realidade alternativa", diz o curador Andrew Bolton, pontuando que a moda se apropria mais da fantasia coletiva que se tem da China do que uma representação fiel da cultura do país. 

Entre os destaques da mostra, estão o manto de dragão, usado pelo último imperador logo depois de sua coroação, e a pintura de uma concubina chinesa nunca exibida antes. Um labirinto de galerias abriga ainda cartas com a caligrafia chinesa, frascos de perfume e porcelanas azuis e brancas, que dividem espaço com vestidos estampados, trajes de gala suntuosos e peças bordadas de estilistas ocidentais.

Há uma sala dedicada apenas ao ópio e aos impactos da China no trabalho de Yves Saint Laurent, cuja coleção de inverno de 1977 tinha jaquetas e casacos de pele com referências da Mongólia. Chama atenção também o jardim oriental repleto de manequins que vestem elaborados vestidos de inspiração chinesa, além de casacos, saias e roupas de festa criados por John Galliano para a coleção de verão 2003 da Dior. 

Por fim, a exposição conta com telas que exibem trechos de filmes importantes, a exemplo de "O Último Imperador", "Lanternas Vermelhas" e " Adeus, Minha Concubina”, mostrados nas mesmas salas em que estão as peças que eles inspiraram. "O cinema é a maior fonte de referência para os estilistas do Ocidente e quisemos mostrar como isso impactou e moldou a fantasia de cada um sobre a China", diz Bolton. A mostra fica em cartaz até 16 de agosto.