Estilista francês André Courrèges morre aos 92 anos em Paris

- O Estado de S.Paulo

Criador da minissaia, o francês fez sucesso nos anos 1960 e ajudou a revolucionar a moda mundial

André Courrèges em 1976 posando com modelos usando sua coleção de alta-costura primavera/verão

André Courrèges em 1976 posando com modelos usando sua coleção de alta-costura primavera/verão Foto: AFP

O estilista francês André Courrèges, símbolo da revolução indumentária dos anos 1960, conhecido por popularizar a minissaia, morreu aos 92 anos em sua residência perto de Paris. O anúncio foi feito nesta sexta, 8, por representantes de sua marca. Aposentado desde a década de 1990, Courrèges morreu na quinta-feira, 7, após uma batalha de 30 anos contra a doença de Parkinson.

"Ao longo de sua vida, André Courrèges, com (sua esposa) Coqueline, não parou de avançar, de inventar para estar sempre à frente. Um criador visionário que anteviu o que seria o século 21 e que acreditava no progresso. E isso é o que torna Courrèges tão moderno hoje", declararam Jacques Bungert e Frédéric Torloting, presidentes do grupo Courrèges. Entre vestidos curtos de shape reto, botas de vinil de cano alto e muito branco, sua cor favorita, o estilista captou o espírito da época e marcou os anos 1960 com  o futurismo na moda. Uma de suas musas foi a cantora Françoise Hardy, vedete dos anos 1960.

Nascido em Pau (sudoeste da França) em 9 de março de 1923, filho de um mordomo apaixonado por arquitetura e pintura, ele começou a trabalhar no final da década de 1940 ao lado do estilista Cristobal Balenciaga, com quem permaneceu durante 11 anos. Na maison Balenciaga, conheceu sua futura esposa, Coqueline, com quem abriu em 1961 a própria casa de moda, que logo se tornaria um sucesso fenomenal.

Seus desfiles eram impregnados de conceitos: em 1980, instalou uma enorme bolha transparente no Jardin des Plantes, em Paris. Em 1985, investiu em um grande hotel de Tóquio para um evento de moda e música,em que grandes canções francesas foram interpretadas por 130 músicos. Após se aposentar em 1994, Courrèges passou a se dedicar à pintura e à escultura, deixando a esposa à frente da casa, vendida em 2011 para a dupla Frédéric Torloting e Jacques Bungert.