Entenda porque as marcas estão banindo o uso de mohair

Redação - O Estado de S.Paulo

Marcas como Zara e Gap anunciaram que não usaram mais o tecido por causa da crueldade com os animais em sua produção

O mohair é feito a partir do pelo de cabras angolanas

O mohair é feito a partir do pelo de cabras angolanas Foto: ZECA WITTNER/AE

Depois de um movimento de importantes marcas de luxo pararem de usar pele animal em suas peças, agora outro tecido que não é ecologicamente correto está na mira da indústria: o mohair. Desta vez, quem encabeça a ação de boicote contra a fibra que é feita a partir do pelo de cabras angolanas são marcas baratas e redes de fast fashion. Topshop, Zara, H&M, Gap, Mango e Primark são algumas das empresas de alcance mundial que já afirmaram que não irão mais produzir peças com o tecido. 

O mohair, uma espécie de lã mais felpuda, da qual são feitos casacos, cachecóis e cobertores, já teve os seus tempos de destaque na moda, principalmente com o movimento punk nos anos 1970, mas agora caiu em desuso por causa de um estudo feito pelo PETA sobre as condições de extração do tecido. Vídeos feitos em 12 fábricas na África do Sul mostram cabras sendo arrastadas pelos chifres, penduradas pelo rabo e arremessadas. Segundo a organização, os funcionários das fazendas investigadas são pagos por volume de produção, "trabalhando rápido e sem cuidado, deixando as cabras machucadas e sangrando." O PETA também afirmou que alguns animais morrem após a tosa. 

"O jeito mais efetivo de prevenir que as cabras sofram e morram da maneira que vimos é ir direto nos vendedores e consumidores", explicou Dan Paden, diretor de análise de evidências do PETA ao Washington Post. "Os animais só irão parar de passar por isso quando as marcas retirarem o apoio à indústria e os consumidores não comprarem produtos de mohair e investirem em coisas que não envolvam tanta crueldade." 

O pelo das cabras angolanas começa a ser cortado quando elas completam 6 meses de idade

O pelo das cabras angolanas começa a ser cortado quando elas completam 6 meses de idade Foto: PETA / Washington Post