“Em época de crise, o tíquete da roupa continua cabendo no orçamento”

Giovana Romani - O Estado de S.Paulo

Criador da Uma e presidente da Associação Brasileira de Estilistas, o empresário fala dos desafios de manter uma marca por vinte anos e da abertura de uma nova loja em Nova York

Roberto e Raquel Davidowicz, da Uma: comemoração de vinte anos de marca com empreitada americana

Roberto e Raquel Davidowicz, da Uma: comemoração de vinte anos de marca com empreitada americana Foto: Fernanda Figueiredo / Especial para O Estado de S. Paulo

Comandada pelo casal Roberto e Raquel Davidowicz, a Uma, que apresentou seu desfile na São Paulo Fashion Week na última segunda, comemora vinte anos de marca. Na passarela, Raquel apresentou o melhor de seu DNA esportivo e urbano, com alfaiataria desconstruída, peças soltas e tecidos nobres. Nos bastidores, o marido dela, Roberto Davidowicz, falava entusiasmado da empreitada em Nova York. Eles abriram uma loja própria no West Village no fim do ano passado e, graças à alta do dólar, têm conseguido manter um preço competitivo no mercado americano. Também presidente da Associação Brasileira de Estilistas (Abest), Roberto analisa a trajetória da grife e o momento do mercado da entrevista a seguir.

É difícil para uma marca brasileira sobreviver vinte anos?

No nosso caso, não, pelo contrário. Acabamos nos fortalecendo. Não é o primeiro momento turbulento do Brasil pelo qual passamos e, em vinte anos, conseguimos entender qual é nosso público e mantê-lo. Temos nossa cliente que gosta do nosso DNA, que se identifica com a marca. Fazemos uma roupa de nicho. Tem mulher para quem não faz sentido e tudo bem. Não adianta atirar para todos os lados.

A crise tem afetado muito as vendas?

Todos estão com isso na cabeça, então as pessoas falam mais sobre o assunto. Mas não sei até que ponto isso altera tanto o consumo. Em época de crise, o tíquete de uma roupa cabe no orçamento, seja qual for a classe social. Então a pessoa continua comprando. Consumo é satisfação, é um prazer necessário. A roupa cabe - não é como comprar um apartamento ou móveis novos para a casa. Na crise, a roupa ainda cabe no bolso e traz a satisfação. 

No fim do ano passado, a Uma abriu uma loja em Nova York. A alta do dólar tem sido positiva nesse momento para vocês, certo?

Há um equilíbrio: o dólar alto influencia nos insumos, na nossa matéria prima, mas ao mesmo tempo nos torna competitivos lá fora. Esse dólar, acima de R$ 3, faz com que nossa peça tenha um preço justo lá fora. Com o dólar a R$ 2, seria inviável. A roupa ficaria quase com preço de alta costura.