Ellus chega aos 45 anos como modelo de negócio para o grupo InBrands

Natália Guadagnucci - Especial para O Estado de S. Paulo

Marca anuncia estreia no sistema ‘see now, buy now’ com coleção comemorativa de aniversário

A Ellus volta às origens na coleção de inverno 2017.

A Ellus volta às origens na coleção de inverno 2017. Foto: Divulgação

São tempos de mudanças na Ellus. Prestes a completar 45 anos, a marca pioneira na produção de jeans no Brasil continua a ter o denim como seu carro-chefe, mas anuncia novidades. Em comemoração ao aniversário, trará uma série de reedições de suas peças-chave, das estampas de maior sucesso e até do antigo logo. Mas alguns dos clássicos também voltarão em versão atualizada – caso dos coturnos e, claro, do jeans. Ela passa ainda a aderir ao formato ‘see now, buy now’ (ou veja agora, compre agora), disponibilizando a coleção para venda logo após o desfile que acontece em março na São Paulo Fashion Week. 

O equilíbrio entre o novo e a tradição, uma constante dentro da marca, certamente contribuiu para a construção de uma identidade sólida no mercado de moda nacional. A receita de sucesso agora é referência para os outros integrantes da holding InBrands, da qual a etiqueta mineira faz parte desde 2008.

Por lá, o momento também é de renovação: Adriana Bozon, que está há mais de 20 anos na Ellus e desde o início na Second Floor (sua marca-irmã criada em 2007), assume agora a direção de branding de todo o grupo, que inclui marcas como Bobstore, Alexandre Herchcovitch, Richards e Salinas. “A ideia é levar todo o know-how da Ellus, que tem 45 anos de história, para as outras marcas. Esse vai ser o meu papel, o de apoiar as equipes para, ao lado dos diretores criativos e do Nelson (Alvarenga, fundador da marca), definir quais são os produtos carro-chefe, qual o público, o visual merchandising e a arquitetura dos pontos de venda”, explica ela.

Adriana Bozon.

Adriana Bozon. Foto: Divulgação

A época é fraca para o varejo, que teve queda de 4,5% em 2016 em relação a 2015, de acordo com indicador da operadora de cartões de crédito Mastercard, que mede o desempenho do consumo. Nada mais certeiro, então, do que seguir bons exemplos como o da Ellus, que já sobreviveu – com folga – à crise econômica do início dos anos 1990.

Na InBrands, a estratégia de combate à recessão tem sido a mesma para todas as marcas: otimizar as coleções, com menos oferta e mais aprimoramento das peças. “Estamos enxugando as coleções para torná-las mais produtivas. Como temos uma rede grande de lojas próprias e franquias [(são mais de 300), vamos olhar muito para o ponto de venda, para unificar os processos”, conta Bozon.

O mercado ensina que se reinventar é preciso para permanecer relevante. Vem daí a procura de Bozon e sua equipe por inovações para chacoalhar a Ellus e companhia. “Depois que todas as marcas estiverem com suas identidades bem definidas, o próximo passo é se abrir à modernização”, diz ela. Tecidos feitos a partir da cannabis e a tecnologia vestível – como os relógios e pulseiras inteligentes, por exemplo, são possibilidades para o grupo no futuro.

“No Brasil, temos bons fornecedores de jeans e de malharia, mas de resto, precisamos trazer de fora. Acho que esse modelo de sucesso que acontece lá fora, que conta com uma produção local para ter agilidade, é algo que o Brasil vai precisar. A nossa área têxtil terá que caminhar junto com a evolução do mercado para acompanhar as novidades”, finaliza a diretora de branding. “Se o custo no Brasil for mais barato, tudo pode melhorar”.