Ele mudou a maneira de usarmos joias e foi esquecido

Matthew Schneier/The New York Times - O Estado de S.Paulo

Tom Binns, aclamado pelo mundo da moda no passado, tenta se reerguer

Tom Binns em sua casa em Los Angeles.

Tom Binns em sua casa em Los Angeles. Foto: Emily Berl/The New York Times

Num loft em Venice Beach, Los Angeles, Tom Binns vem se reorganizando. A maior parte do mundo o conhece como joalheiro, e um subgrupo - o mundo da moda - passou anos exaltando-o como um dos seus favoritos. Binns foi agraciado com inúmeros prêmios, procurado como colaborador (no começo ele trabalhou com Malcom McLaren e Vivienne Westwood e muitos outros) e criações suas foram usadas pela primeira dama Michelle Obama. Mas o mundo da moda não o procurou mais.

“Quando você não está na moda durante alguns anos, não aparece em fotos, é esquecido”, disse Binns, loquaz e sarcástico, embora um pouco melancólico. “A empresa que eu possuía foi fechada. Fiquei na lona. Estou tentando reconstruir minha carreira”, disse ele. Binns produz joias há 40 anos, muito antes de a empresa que levava seu nome ser criada ou a escola de arte que frequentou lhe ensinar o jeito correto de trabalhar. Mas seu primeiro sucesso foi também uma espécie de descoberta: de que havia joias suficientes e que não precisava produzir outras mais. 

Ele passou a frequentar mercados de pulga, comprando joias antigas, lixo e tesouros que recriava, transformando em coleções mais dadaístas do que decorativas. As joias tinham um público ávido, mas as peças que ele produzia à mão eram caras e laboriosas para criar em ouro e pedras preciosas. Além disso, sua exuberância grosseira era fácil de criticar quando ele ficou famoso. Em 2007, Binns formou uma parceria para criar uma coleção mais comercial do que as peças feitas à mão. “Eu preciso mais de dinheiro do que qualquer outra pessoa”, ele pensou.

Mas depois de anos e uma loja em Perry Street em Nova York, a empresa de Binns faliu, sufocada pela concorrência, sua falta de interesse em comercializar suas criações e seu temperamento controverso (“Artistas têm de ser rebeldes, mas a rebelião não é o que costumava ser”). Advogados foram contratados e Binns passou dois anos às voltas com ações judiciais para ter seu nome de volta. “Paguei o resgate”, afirmou. Ele ainda possui um arquivo de milhares de peças antigas e as vende para para conseguir sobreviver, e “mal” - acrescentou.

As joias não o interessam como grande parte da arte nos dias atuais. Ela é considerada mais uma arte vestível do que arte, um mero acessório”. Ele ficou furioso pela cobertura da imprensa da visita de do presidente Obama e sua mulher Michelle à Grã-Bretanha em 2011, quando, num jantar na residência do embaixador americano, ela usou um colar seu de correntes entrelaçadas. A cobertura focou nas roupas dela. “Minha joia é mais importante do que esse vestido. Ali estava a rainha com todas as suas joias da coroa e Michelle Obama com esse colar que literalmente formava uma unidade com seu traje”.

As esculturas que Binns mostrou em seu estúdio onde vive e trabalha pareciam primos maiores dos pequenos objetos engraçados, uma reunião de joias criadas por ele. Objetos efêmeros, alguns encontrados no lixo durante seus passeios de bicicleta por Los Angeles resplandecem ao seu olhar e são levados para casa para serem renovados e reavaliados. “Esse foi um objeto que encontrei” diz ele, mostrando uma lata amassada de tinta que pintou. “Isso é um pedaço de mesa da Ikea que estava no jardim de alguém e foi danificado pelo sol e chuva”, acrescentou. “Olho e digo, é uma peça de arte. É fantástica”.

Ele ainda não expôs os trabalhos, mas pretende fazer isso. E continua criando algumas joias para clientes antigos seus admiradores. Tradução de Terezinha Martino