Educação para a vida

- O Estado de S.Paulo

O processo de ensino e aprendizagem da criança também conta e depende da participação da família

A oferta generosa de informação, o avanço da internet e do uso da tecnologia no cotidiano tem afastado cada vez mais pais e filhos do convívio direto. A conversa olho no olho, o diálogo e a atenção têm perdido espaço para as mensagens de texto, para os bate papos virtuais e para as multitarefas. Em consenso, os educadores afirmam que o pouco tempo dedicado aos filhos com qualidade vale muito mais do longos períodos de presença sem qualidade alguma. E se falta tempo para dar atenção aos filhos em casa, o que dizer da participação no processo educativo deles?

A diretora e psicopedagoga do Colégio Renovação, Sueli Conte, lembra que o processo de ensino e aprendizagem da criança também conta e depende da participação da família. "Quando os pais estimulam o aprendizado e participam na vida escolar, os alunos tendem a obter notas melhores, aceitam novos desafios e têm um processo de adaptação mais adequado", afirma.

No processo participativo de aprendizagem, acertos e erros servem para estimular o aluno a ampliar suas habilidades e competências. Mas, para conseguir atingir esse modelo ideal de educação, os pais precisam adotar alguns atitudes que ajudam a tornar o dia a dia mais produtivo e saudável para os filhos. "Comece mostrando entusiasmo e segurança ao deixar o filho na escola. Ressalte que ele irá encontrar outras crianças com quem poderá aprender coisas novas", ensina Sueli.

Reconhecer e valorizar cada conquista de autonomia de seu filho também é um passo muito importante. "Mas nunca o reprima ou castigue em caso de falha ou regressão", alerta a psicopedagoga. Para que a criança não se sinta inferiorizada, a melhor estratégia é respeitar o ritmo dela. "Nunca faça comparações com irmãos ou amigos", recomenda.

Para a criança aprender a respeitar os regras da escola, e posteriormente as regras sociais, é importante que os pais criem uma rotina para o filho também em casa, como horário regular para se  alimentar, para tomar banho e para ir para a cama. Diariamente, demonstre interesse pelas atividades da criança. "Converse sobre o dia dela, mas sem encher de perguntas. Deixe que conte o que quiser e siga a conversa a partir das situações reveladas", orienta a especialista.

Mas de nada adianta querer que o filho tenha um comportamento diferente daquele adotado pelos pais." A premissa básica nesse caso é o exemplo", afirma Sueli. "Não faz sentido o pai esperar que seu filho tenha interesse pela leitura se ele mesmo não tiver", conclui.

Dicas da psicopedagoga para uma educação participativa:

1. Entenda como a escola estimula seu filho e o que esperar em cada fase do seu desenvolvimento. Acompanhe cada etapa de perto;

2. Esteja presente e participe das reuniões de pais;

3. Vá às atividades extraclasse, como palestras, por exemplo;

5. Valorize e respeite a escola, os professores e funcionários. É importante que seu filho perceba este ato;

6. Leia a agenda do seu filho diariamente;

7. Ensine seu filho a separar o material para as aulas e a deixar a mochila pronta com antecedência;

8. Lembre-se de acompanhar a vida escolar do filho mesmo que ele já seja autônomo;

9. Converse sobre o que ele achou dos professores e mostre que é possível lidar com os diferentes perfis, do mesmo jeito que ele lida com amigos distintos.