Despidas para o sucesso

Alexandra Jacobs - O Estado de S.Paulo

Crítica de moda analisa por que ir quase sem roupa a eventos de gala virou mania entre as celebridades

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No red carpet do Billboard Music Awards, no último dia 17, Jennifer Lopez exibiu um look que deixava seu estômago e as laterais dos seus seios expostas, uma criação de....Hum, deixe-me ver. Na festa de gala do Metropolitan, no dia 4, ela, Beyoncé e Kim Kardashian surgiram ostentando o bumbum em vestidos cujos estilistas também não vêm à mente de imediato. Será que podemos esperar o mesmo na premiação anual do Council of Fashion Designers of America, marcada para a próxima segunda, no Lincoln Center, em Nova York? Afinal, foi lá, há um ano, que Rihanna lançou a atual febre da moda transparente com um macacão que se destacou mais pelo fabricante dos cristais que enfeitavam a roupa, Swarovski, do que pelo design assinado por Adam Selman.

Josh Haner/The New York Times
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Esse novo comportamento das celebridade vem causando polêmica e controvérsia. Anita Patrickson, stylist que trabalhou com a modelo Chanel Iman e a atriz Julianne Hough, por exemplo, condena o exibicionismo. “É ótimo para dançarinos de um show, mas quando você lembra de Grace Kelly caminhando com desenvoltura pelo red carpet, isso é uma vergonha", afirmou em entrevista por telefone. Porém, ela própria vestiu recentemente a atriz Michelle Rodriguez com um vestido preto com tentáculos nos seios e as costas nuas, idealizado por Zuhair Murad, especialista em looks super sexy. 

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Ao adotarem criações desse tipo em recintos urbanos, mais formais, como museus e salas de concerto, as celebridades estão exibindo seu corpo para afirmar o óbvio (e o que mais surpreende são aquelas com mais de 40 anos). Elas evitam a pergunta automática: “quem você está vestindo?”. Na verdade, evitam falar. Silenciosas, como estátuas, as seminuas vêm procurando se colocar no panteão das “bombshells” liderado não por Grace Kelly, mas por Marilyn Monroe, que cantou “Happy Birthday, Mr. President” usando um vestido transparente que poucos diriam ter sido idealizado por Jean Louis (embora tenha sido vendido por US$ 1,15 milhão em um leilão em 1999).

Marilyn Monroe certamente adorava as câmeras e era conhecida por examinar atentamente as provas das fotos. Mas não conseguimos imaginá-la feliz ao protagonizar, como vimos recentemente Kim Kardashian West, um livro de 445 páginas dedicado inteiramente aos “selfies” dela e distribuídos pela Rizzoli. O livro, intitulado “Selfish”, foi descrito como “cativante” por Laura Bennet no “Slate”. Já Jerry Saltz, da revista “New York”, o comparou, com aparente sinceridade, ao “My Struggle”, de Karl Ove Knausgaard. Com o devido respeito a esses críticos, isso é uma estupidez. “Selfish” poderia muito bem ser chamado “Superficial”, assim como o livro “Sex”, publicado há mais de 20 anos por Madonna (mas pelo menos ela ainda dança, canta e atua) . Embalagem sem conteúdo, nada mais. Como as seminuas do red carpet.