Depressão e solidão são ruins para a saúde

Barton Goldsmith - O Estado de S.Paulo

Estudos recentes mostram que tanto um quanto o outro são mais perigosos para a sua vida do que a obesidade ou o tabagismo

Negar é parte do sofrimento; na maior parte, ninguém quer admitir que está se sentindo para baixo

Negar é parte do sofrimento; na maior parte, ninguém quer admitir que está se sentindo para baixo Foto: Crédito S/ Creative Commons

Aparentemente, a solidão e a depressão são os novos assassinos. De fato, estudos recentes mostram que tanto um quanto o outro são mais perigosos para a sua vida do que a obesidade ou o tabagismo. Descoberta assustadora, pois enquanto mais de 40 milhões de pessoas nos Estados Unidos receberam o diagnóstico de depressão, o número de pessoas que lidam (ou tentam lidar) com a depressão é desconhecido, e sentir-se sozinho é extremamente deprimente.

Para sobreviver a um período difícil, quer você se sinta apenas só ou esteja deprimido e só, em primeiro lugar, dever admitir para você mesmo como está se sentindo. Negá-lo é parte do sofrimento, e, na maior parte, ninguém quer admitir que está se sentindo para baixo. Entretanto, guardar todo o sofrimento para si pode causar problemas físicos também. As pessoas deprimidas em geral têm dificuldade para realizar uma atividade física, manter uma dieta equilibrada ou cuidar de si como as pessoas que não se sentem assim. 

Se você está deprimido, é muito importante que receba um diagnóstico especializado, quer a causa da sua depressão seja bioquímica, quer decorra das circunstâncias mesmas de sua vida, como por exemplo a perda de um ente querido. Seu médico e seu terapeuta (isso mesmo, vai precisar dos dois) deveriam trabalhar juntos para criar um tratamento personalizado que funcione para você.

Muitas pessoas têm medo de ouvir a opinião de um profissional de medicina ou de saúde mental, e também têm medo de tomar antidepressivos. É importante notar que nem todas as pessoas deprimidas reagem bem à terapia baseada em medicamentos. Por outro lado, frequentemente pode ser útil uma combinação de mudanças do estilo de vida, terapia e trabalho pessoal (como manter um diário). Alguns médicos recomendam o uso de suplementos, como óleo de fígado de bacalhau. Outros usam diferentes tipos de medicamentos para ajudar o paciente a fazer frente ao seu tumulto interior. Um caso é diferente do outro, e eu sempre recomendo que o paciente procure ouvir pelo menos duas opiniões.

Enquanto luta para superar estes momentos complicados, consulte profissionais de confiança. Se não gosta do seu médico, procure outro. Se tem uma reação ruim a um medicamento, fale imediatamente ao médico (não tente resistir). Os melhores psiquiatras admitem que costumam prescrever o que acreditam ser a melhor droga existente no momento para seus pacientes, mas, se ela não funciona, tentam outra opção e assim por diante, até encontrar a melhor. O processo pode fazer com que o paciente se sinta uma cobaia. A verdade é que existem apenas um punhado de remédios disponíveis, todos com resultados diferentes e efeitos colaterais.

Ninguém conhece melhor os seus sintomas do que você mesmo. Se está tomando algum remédio, saiba que suas emoções também podem distorcer seus sentimentos, por isso você precisa levar este fato em consideração ao avaliar se a terapia ou o medicamento está funcionando ou não. O conselho de amigos bem intencionados pode ajudar, mas tê-los por perto pode ser mais útil para você do que qualquer outra coisa.

Lembre que conhecimento é poder, e se você não se acostumou a ficar deprimido, irá querer fazer alguma coisa a respeito. Pense nas vezes na sua vida em que você se sentiu feliz, e compare o que está acontecendo agora com o que acontecia então. O que é diferente? As pessoas mudam continuamente. Talvez você tenha sofrido um trauma ou uma experiência negativa, e precise de tempo para se recuperar. Qualquer que seja a causa, nada mudará para melhor se você não tomar as iniciativas necessárias para ajudar a si mesmo.

Barton Goldsmith é psicoterapeuta

Tradução de Anna Capovilla