De couro reciclado a tingimentos naturais, indústria da moda tenta limitar danos ambientais

Agência - Reuters

Segundo a Oxfam, setor é responsável por cerca de 10% de todas as emissões de gases causadores do efeito estufa

Atriz Rosario Dawson, cofundadora da Studio.

Atriz Rosario Dawson, cofundadora da Studio. Foto: REUTERS/Mario Anzuoni

A moda tem objetivo de fazer você se sentir bonito e bem consigo mesmo. Agora a indústria fashion está finalmente adotando medidas para criar o mesmo efeito no planeta. A indústria da moda é uma das mais prejudiciais do mundo, sendo responsável por cerca de 10% de todas as emissões de gases causadores do efeito estufa, de acordo com a Oxfam. 

Algumas marcas estão tentando cortar desperdícios e ser mais sustentáveis, como a Badgley Mischka, que está alterando o processo de produção de seus itens. “É um negócio diferente do que era, até mesmo há cinco anos. As fábricas que usamos são fábricas de produção sem desperdícios, onde tudo é reciclado”, disse o designer Mark Badgley. 

A Studio 189 apresentou em Nova York na semana passada sua coleção de roupas tingidas naturalmente, com inspirações africanas, e produzidas em colaboração com comunidades de Gana. “Precisamos ter esta conversa na indústria da moda mais do que qualquer outra coisa”, disse a atriz Rosario Dawson, cofundadora da empresa, junto com Abrima Erwiah, ex-executiva da Bottega Veneta. A empresa tenta criar empregos e apoiar educação em parceria com a Iniciativa de Moda Ética das Nações Unidas. 

A fabricante de automóveis Hyundai se juntou à marca Zero + Maria Cornejo na Semana de Moda da Nova York para uma coleção que usou restos de couro dos carros da companhia. Cornejo afirmou que o objetivo é mostrar como as sobras de pequenas e grandes empresas podem ser usadas. “Não precisa ser descartado. Pode encontrar uma nova vida. É sobre recriar, reimaginar, reciclar. É basicamente sobre ser criativo com coisas que normalmente seriam descartadas”, disse. 

Em torno de 97% nas roupas são terceirizadas para produção em países pobres, onde donos de fábrica competem nos preços, levando ao descarte de roupas em aterros e ao escoamento químico perigoso de fábricas, de acordo com Andrew Morgan, diretor do documentário The True Cost, de 2015.