Conheça Ivana Wonder, uma das participantes da segunda edição do projeto Meio-Fio

Isadora de Almeida - Especial para O Estado de S. Paulo

'A beleza sempre foi um dilema para mim', diz ela, que se descreve como um palhaço pós-humano

Ivana Wonder se descreve como um palhaço, com influência dos anos 1980

Ivana Wonder se descreve como um palhaço, com influência dos anos 1980 Foto: Fabiano Rodrigues

Ivana Wonder é um dos nomes que está participando da nova temporada do projeto Meio-Fio, da marca Melissa, que busca mapear o novo trabalho criativo da cidade de São Paulo. A performer é figurinha carimbada nas noites do centro, principalmente em festas eletrônicas underground. Durante o dia, Victor Ivanon, o nome por trás de Ivana, é designer gráfico e aposta em looks fashionistas com uma pegada vintage.

Nascido em Sertãozinho, no interior de São Paulo, Victor veio para a capital para estudar. Ele garante que é caseiro: “ Minha concha é minha casa e não a abandono tão facilmente”, conta. Porém, também sempre foi extremamente criativo. “Adoro criar personagens, histórias, roupas, músicas, e tudo isso sempre foi um lugar seguro e de extrema catarse”. E foi através de diversos experimentos que surgiu a sua persona Ivana, descrita por ele como um palhaço pós-humano. “Costumo dizer que já fui drag queen. Depois de viver e ler muito sobre, não me defino como tal”.

Ivana conta que, antes de começar a se montar, odiava maquiagem: 'Encarei o processo da maquiagem como uma forma de desenho' 

Ivana conta que, antes de começar a se montar, odiava maquiagem: 'Encarei o processo da maquiagem como uma forma de desenho'  Foto: Fabiano Rodrigues

“Eu sempre gostei dessas figuras emblemáticas de maquiagens fortes, seja nos palhaços ou nos anos 1980 e por aí vai”, explica sobre as suas inspirações. Em sua perna, o performer tem os dizeres “stay ugly” tatuados. “É quase um mantra pra que eu me lembre de que nunca devo achar que preciso adentrar os padrões de beleza que nos massacram diariamente”, divide. “A beleza sempre foi um dilema pra mim, sendo bem clichê: o que é belo?".

Quem encontra com Ivana na noite, não imaginaria que, na realidade, ela odiava maquiagem antes de começar a se montar. “Encarei o processo da maquiagem como uma forma de desenho - desde criança desenho muito. Então, para mim, foi um desafio de mudar de plataforma, entender as nuances do rosto”, conta. Cores fortes e os lábios extremamente exagerados são algumas das marcas de estilo na make da personagem, além de delineadores com formas diferentes. 

E o momento de tensão sobre questões de gênero pelo país, Victor divide que conta com o apoio de amigos para não desistir de sua arte: “Obviamente não é fácil manter essa imagem que incomoda muita gente. Mas sou rodeado de pessoas ótimas que me dão coragem de seguir mais e mais”.

O convite para participar do projeto Meio-Fio veio informalmente, por uma mensagem pelo Instagram. “As minhas expectativas era quase inexsitentes, na verdade, e foi isso que tornou tudo mais interessante”, diz Ivana. “Conheci pessoas que, muito provavelmente, não cruzariam na minha vida. E me enriqueceram horrores, tanto afetivamente como profissionalmente. Pra mim, essa experiência de troca foi e é o mais incrível do projeto”. A performer não consegue elencar quais outros participantes merecem uma atenção especial por parte do público: “Sinceramente: TODOS! Cada um ali tem potenciais incríveis e conversam com os mais diversos tipo de habilidades”.

Convite para o projeto Meio-Fio, da Melissa, que busca mapear a cena criativa de São Paulo, veio por uma mensagem no Instagram: 'As minhas expectativas era quase nada, na verdade, e foi isso que tornou tudo mais interessante'

Convite para o projeto Meio-Fio, da Melissa, que busca mapear a cena criativa de São Paulo, veio por uma mensagem no Instagram: 'As minhas expectativas era quase nada, na verdade, e foi isso que tornou tudo mais interessante' Foto: Fabiano Rodrigues