Congresso em Copenhagen aponta novos caminhos para uma moda mais sustentável

Sergio Amaral* - Especial para O Estado de S. Paulo

Dados mostram evolução positiva mas muito aquém do desejado na indústria

Convidadas do Copenhagen Fashion Summit no Innovation Forum

Convidadas do Copenhagen Fashion Summit no Innovation Forum Foto: Imagem cedida pelo Copenhagen Fashion Summit

COPENHAGEN - Longe do glamour das temporadas de moda em Paris, Milão, Londres e Nova York, a indústria da moda tem um encontro marcado com assuntos mais espinhosos do que tendencinhas da hora esta semana, em Copenhague. 

A capital dinamarquesa é sede do mais importante congresso de sustentabilidade do setor, o Copenhagen Fashion Summit, que chega a sua sexta e maior edição nesta terça, 15, e quarta, 16, reunindo uma engajada turma de fashionistas, que inclui a estilista Stella McCartney, a modelo Amber Valletta e o crítico e jornalista Tim Blanks, além de nomes importantes do mercado, como o grupo de luxo Kering, a rede de fast-fashion H&M e o Instituto C&A, em torno de temas como transparência, economia circular, reciclagem e trabalho forçado.

Introduzindo algumas das questões que devem esquentar os debates da conferência, na tarde da segunda, 14, alguns números foram apresentados. Entre as boas notícias, o aumento de seis pontos percentuais na média de níveis de sustentabilidade da indústria da moda para 38%, valor, entretanto, considerado muito aquém do ideal.

Nada idealizados também são os pontos de vista colocados pelos envolvidos no Fashion Summit. “É hora de evoluir de palavras para ações”, diz Eva Kruse, a diretora do evento e presidente da Danish Fashion Institute, sugerindo o tom desta edição. “É preciso tratar do assunto num contexto de negócios e não de filantropia.”

Nesse aquecimento, já despontam algumas das questões mais quentes. Entre elas está a transparência das cadeias produtivas e uma possível revolução na maneira fazer seu rastreamento com uso de tecnologia, a de como engajar consumidores em comportamentos mais conscientes ou o “Santo Graal” da reciclagem: os tecidos mistos (algodão, viscose, poliester e microfibra, por exemplo) em larga escala.

Por fim, mas não menos importante, a eterna e desconfortável questão: quem paga esta conta? 

*O jornalista viaja a convite do Instituto C&A