Camiseta contra o assédio usada por globais é vendida por R$ 25 na internet

Isabela Serafim - Especial para O Estado de S. Paulo

Peça faz parte da campanha idealizada pela produtora e fotógrafa Catarina Rangel em apoio à Susllem Tonani

Atrizes da globo se unem em apoio à figurinista Su Tonani, vítima de assédio.

Atrizes da globo se unem em apoio à figurinista Su Tonani, vítima de assédio. Foto: https://www.instagram.com/p/BSekSfZjW_v/?taken-by=caiapitanga

O relato de assédio de Susllem Meneguzzi Tonani cometido pelo ator José Mayer viralizou nas rede sociais na sexta-feira, 31. A polêmica fez com que a produtora da Rede Globo e fotógrafa Catarina Rangel se unisse às colegas de diversas áreas e idealizasse uma campanha para apoiar a figurinista. Juntas, criaram a camiseta ‘Mexeu com uma, mexeu com todas #chegadeassédio’ e organizaram ações que ganharam aderência de atrizes como Taís Araújo e Grazi Massafera. 

A peça em questão foi feita pela empresa Dimona, e está à venda na internet por R$ 25. De acordo com a marca, parte do lucro será revertido para a ONG Think Olga, que luta contra o assédio. “Admiramos a coragem das mulheres que levantaram essa bandeira dentro de uma das maiores organizações de comunicação do país”, diz Leonardo Zonenschein, diretor da Dimona. 

Em entrevista ao E+, Catarina Rangel disse que as atrizes foram fundamentais para que a campanha crescesse. “A gente vive o assédio, todas nós. Houve uma identificação e sensibilização geral”, conta. “Precisamos falar de assédio. Como é e como pode ser combatido. Estamos conversando com a Rede Globo sobre mudanças na empresa.” 

Mil exemplares do modelo foram fabricados a pedido das funcionárias da emissora. Agora, as camisetas podem ser encontradas no site da Dimona (com entrega para todo o Brasil) e nas seis lojas físicas no Rio de Janeiro. 

 

#MexeuComUmaMexeuComTodas #ChegaDeAssédio

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#MexeuComUmaMexeuComTodas #ChegaDeAssédio Viva o NOVO NORMAL! NÃO aceite, NÃO tolere qualquer tipo de assédio.

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No Brasil, o machismo mata uma mulher a cada uma hora e meia. A cada 5 minutos uma mulher é agredida e a cada 4 minutos, uma mulher é estuprada. O machismo não se revela somente nesses atos de extrema violência, é uma cultura que subjuga a mulher cotidianamente desde o berço. Uma mulher também se sente agredida quando tem que escutar cantadas obscenas de estranhos em espaços públicos, no trabalho, na escola. Quando não é recíproco e insistente, é assédio. Todas nós já fomos vítimas de assédio. Isso até ontem poderia passar como brincadeira, porque até ontem não tínhamos voz. Até ontem nem sabíamos que tínhamos o direito de nos sentir mal com uma cantada ofensiva. Engolíamos caladas o desconforto. Estamos vivendo a Primavera das Mulheres nas ruas, nas mídias, mas principalmente, entre nós. O feminismo contemporâneo se faz com empatia entre nós mulheres, reconhecendo umas às outras, o que se chama de sororidade. Foi essa sororidade que nos juntou. O machismo é uma tragédia que mata e a única forma de reverter essa tragédia é através da educação. Ensinar uns aos outros a nos respeitar, ensinar ao homem, às mulheres que criam esses homens, a respeitar a mulher, a não subjugá-la, a não violentá-la. Fico muito feliz que essa mobilização tenha despertado a consciência de todos os envolvidos nesse processo. Denunciar é difícil, reconhecer e pedir perdão, também. Mas só assim vamos construir esse novo normal. Estamos juntos construindo, com a consciência da responsabilidade que temos em mãos. #MexeuComUmaMexeuComTodas #ChegaDeAssédio

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