Brasil pode ficar fora do Miss Universo após denúncia de suposta fraude

Isabela Serafim - Especial para O Estado de S.Paulo

Camila Dias Mol acusou o coordenador do evento de ter pedido R$ 10 mil para garantir vitória

Miss Brasil 2016 teve Raíssa Santana como vencedora. 

Miss Brasil 2016 teve Raíssa Santana como vencedora.  Foto: Lucas Ismael/BE Emotion/Divulgação

Camila Dias Mol, candidata do Miss Sergipe 2015, e Bruno Azevedo, seu namorado, abriram uma ação contra a organização do concurso Miss Brasil há dois anos. No processo, David Barbosa, coordenador do evento, é acusado de ter pedido R$ 10 mil a Azevedo para pagar as despesas das candidatas e garantir a vitória de Camila. No início de 2017, a causa, que poderá comprometer a participação do Brasil no Miss Universo, foi encaminhada aos Estados Unidos.

"Não dei o dinheiro e a minha namorada ficou em segundo lugar. Depois, conversei com os jurados e cinco (dos seis) haviam votado em Camila e não sabiam o que tinha acontecido", afirma Bruno Azevedo ao E+. Em seguida, junto com outras denúncias de corrupção nas etapas estaduais do concurso, a Band cancelou o resultado e realizou outro Miss Sergipe.

Camila Dias Mol contou que se sentiu impotente. "Eu via muitas coisas acontecendo e sabia que não poderia fazer nada para evitar o resultado. Fiquei muito triste quando percebi que o concurso tinha muitas coisas erradas e injustas. Espero que a ação evite que outras meninas passem por isso."

Camila Dias Mol.

Camila Dias Mol. Foto: Reprodução/Facebook

O casal entrou com um processo contra a organização do Miss Sergipe, etapa regional do Miss Brasil. Na época, a Band era detentora dos direitos e responsável pela coordenação do concurso, então responde a ação. Depois da polêmica, os direitos do Miss Brasil foram comprados pela Polishop.

"Montamos uma ação conjunta com mais dez meninas que se encorajaram depois do nosso pronunciamento. Temos 30 depoimentos com denúncias também de outras etapas regionais do concurso", conta o namorado. "A Rede Bandeirantes se absteve e a Justiça acionou diretamente os organizadores do Miss Brasil."

De acordo com ele, o processo chegou até o Miss Universo, que está cogitando tirar o Brasil do concurso até que a ação seja finalizada e todas as questões estejam esclarecidas. Carlos Daniel Nunes Masi, advogado à frente do caso, está aguardando a devolutiva dos responsáveis. "Enviamos uma carta à organização do Miss Universo, em Nova York, e estamos esperando a resposta formal. Em seguida, a audiência será marcada."

Procurada pelo E+, a Band não se pronunciou. A Polishop declarou não ter recebido nenhum comunicado da organização do Miss Universo.