Bolsas feitas em comunidade ribeirinha caem nas graças de fashionistas

Marília Marasciulo - O Estado de S.Paulo

Confeccionados com cipó ambé, os modelos da Paricá fazem parte de projeto de ONG que desenvolve trabalhos na área de educação com artesãs do Amazonas

Criadas por artesãs de uma comunidade ribeirinha da Amazônia, as bolsas Paricá são feitas de cipó

Criadas por artesãs de uma comunidade ribeirinha da Amazônia, as bolsas Paricá são feitas de cipó Foto: Reprodução

É pelas mãos de sete artesãs de uma comunidade de ribeirinhos de Santa Isabel do Rio Tupana, no meio da floresta Amazônica, que são feitas as bolsas que vêm fazendo sucesso entre famosas e fashionistas. Parte de um projeto da ONG Casa do Rio, os modelos Paricá, da marca Teçume, têm o cipó ambé como matéria prima. Todo o dinheiro arrecadado com a venda das bolsas é revertido a um programa de alfabetização oferecido para as próprias artesãs, que têm entre 30 e 60 anos. 

Feitas no melhor estilo slow fashion, as bolsas levam até três dias para serem produzidas. "A artesã busca o cipó na floresta, corta, descasca em tiras e deixa descansar em água de uma dia para o outro para garantir flexibilidade", explica a designer Luly Vianna, dona da marca Saissu, que participou do processo de criação do produto. "Meu papel foi ajudá-las a criar uma identidade da peça não só pela matéria prima, mas pelo design." As bolsas estão disponíveis em dois tamanhos, um grande e um míni, são resistentes à água e têm detalhes de franja e no trançado. 

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O processo de venda, por enquanto, segue um conceito parecido, o de slow shopping. A expectativa dos criadores do projeto é de que sejam vendidas 40 peças para custear o programa de alfabetização das artesãs - segundo a estimativa do diretor de comunicação da ONG, Jeff Ares, já foram vendidas 23 peças. Elas podem ser compradas por e-mail  (casadorio@yahoo.com.br) por R$ 500. Entre as apoiadoras da causa, estão a diretora de estilo da revista Vogue, Donata Meirelles, a atriz Mariana Ximenes, e as assessoras de imprensa de moda Tania Otranto e Letícia Veloso. Quando o objetivo inicial for alcançado, é provável que passem a ser vendidas em outros canais e lojas.

Desde a fundação em 2009 pelo empreendedor social Thiago Cavalli Azambuja, a Casa do Rio desenvolve trabalhos de educação com as crianças da comunidade. Ao identificar o potencial das criações das artesãs (que, antes, faziam apenas utensílios para uso próprio, como peneiras e cestos), Azambuja criou a marca social Teçume, aprovada no ano passado, e o programa de alfabetização. “Trata-se de uma oportunidade maravilhosa para as mulheres e o projeto contribuiu para elas começarem a se aceitarem como artesãs”, diz Luly.