Björk de volta para o futuro

Michelli Provensi - O Estado de S.Paulo

"Se Marty McFly voltasse hoje para o futuro, saberia que, além do ano da cabra no horóscopo chinês, este é o ano de Björk", afirma Michi Provensi

A cantora Björk comemora 50 anos de vida e ganha exposição sobre sua trajetória no MoMA, em Nova York

A cantora Björk comemora 50 anos de vida e ganha exposição sobre sua trajetória no MoMA, em Nova York Foto: Divulgação/Facebook

Possível diálogo entre mim e os protagonistas do filme De Volta para o Futuro 2, Martin McFly e Dr. Brown: 

Marty McFly: Onde estamos? Quando estamos?

Dr. Brown: Estamos descendo a Augusta, em São Paulo, às 4h29 da tarde, numa quarta feira, 21 de outubro de 2015.

Marty McFly: 2015? Está me falando que estamos no futuro?

Michi: : Futuro? Marty, como assim? Como podemos estar no futuro?

Marty McFly: Hum, Michi, não sei como dizer isso, mas você está em uma máquina do tempo.

Michi: Chegamos em 2015?

Dr. Brown: Sim, em 21 de outubro de 2015.

Pois é! 2015 chegou.Em alguns meses, mais especificamente em 21 de outubro, alinharemos nossa existência com a de Marty Mcfly, personagem de Michael J. Fox em De Volta Para o Futuro 2, filme que levou muitos de nós a imaginar as invenções e possibilidades reservadas para muitos anos depois.Quem tiver um tempinho de rever esse clássico da sessão da tarde, irá perceber que nosso presente guarda, sim, semelhanças com o 2015 apresentado na ficção.

Tudo bem que ainda não temos robôs capazes de levar o cachorro para passear nem garçonetes eletrônicas, mas o filme antecipou o uso avançado de tecnologia robótica, como os drones, o google glass, a comunicação por vídeo (Skype e Facetime), as telas de plasma, os tablets, o bluetooth  e até um time de beisebol para a cidade de Miami.

Em termos de moda, o filme não acertou muito. As gravatas duplas estão longe de ser um sucesso. E, mesmo com toda a tecnologia de tecidos, a jaqueta vermelha de Marty, que seca sozinha,avisa que está pronta e solta um ventinho nos cabelos de quem a usa (tipo Beyoncé no palco), infelizmente não foi desenvolvida.Espero que em algum lugar de Londres o estilista Hussein Chalayan esta trabalhando nisso.

Mas há coisas que Marty McFly não previa. Se ele voltasse hoje para o futuro, saberia que, além do ano da cabra no horóscopo chinês, este é o ano de Björk. A cantora comemora 50 anos de vida e ainda lançará um álbum novo. Achou pouco? Então saiba que a artista islandesa, que marcou para sempre o tapete vermelho do Oscar ao usar um vestido de cisne, ainda ganhará uma retrospectiva no MoMA, em Nova York.

A exposição ficará em cartaz de 7 de março a 7 de junho e, além de explorar o trabalho musical de Björk, englobará toda a pluralidade da artista durante os últimos 20 anos,como a atuação no cinema, a criação de imagens e as parcerias de moda com os estilista Alexander MCqueen e Hussein Chalayan. Seja qual for o projeto, Björk sempre causa impacto e, por isso, influencia muito o mundo da moda. No último desfile da Dior em Tóquio, por exemplo, a música Hunter, lançada por Björk em 1997, embalou as modelos na passarela.

 De Volta Para O Futuro 2 também acertou que seriamos nostálgicos e a trilha da Dior, vinda diretamente dos anos 90 é uma boa prova. Ironia do destino, esse futuro olha para o passado. E uma das musas fashion deste 2015 promete ser Christine McVie, tecladista e cantora da banda Fleetwood Mac, famosa na década de 70.Certamente, o jeans de cintura alta, a camiseta decotada, os colares e o franjão dessa geração vão inspirar editoriais de moda modernos. 

Aos viajantes deste nosso futuro, que já cortaram a franja e, como eu sonham com um tênis que amarra sozinho igual ao de Marty, um aviso:  começo o ano com fé na promessa do designer da Nike, Tinker Hatfield, de que a marca finalmente lançará o modelo tecnológico como o do filme. Se isso vai ou não ocorrer só o futuro de verdade nos dirá. Enquanto ele não vem, vou ouvindo Fleetwood Mac na vitrola, pensando em Björk.