Beleza com consciência

Cris Dios - O Estado de S.Paulo

Especialista em tratamentos orgânicos para os cabelos, Cris Dios explica como é possível usar água da chuva tratada e obter eficiência energética no mercado da beleza

Salão Laces and Hair na Rua Amauri: redução de 55% no consumo de água

Salão Laces and Hair na Rua Amauri: redução de 55% no consumo de água Foto: Divulgação

A beleza sempre foi um item prioritário da vida das mulheres. Mas consumir beleza de maneira consciente, em tempos de crise econômica e hídrica, tem o seu diferencial. No norte da Europa, 30% dos cosméticos consumidos são produzidos com ingredientes orgânicos. Nos Estados Unidos, há mais de dez anos existem salões que compram energia limpa. No Brasil, apenas grandes consumidores têm acesso aos leilões de energia. Em um mundo em que a expressão “comércio justo” é a palavra de ordem, empresários e empreendedores precisam, cada um a seu modo, tentar tornar o seu negócio mais equilibrado.

Em um salão de beleza há muitas possibilidades nesse sentido: o uso da água de forma consciente, o consumo da energia, a utilização de produtos que não agridem o meio ambiente, os processos renováveis, o uso de matérias-primas biodegradáveis, a compensação de CO2...Mas, além disso, como um cabeleireiro pode enfrentar a crise hídrica? Empresas de pequeno porte ainda enfrentam pouco acesso a tecnologias de ponta e precisam passar pela burocracia que restringe financiamentos, ainda que exista muita oferta de incentivo a soluções sustentáveis. 

Criar uma estação de tratamento de água da chuva é uma solução viável e não tão complexa quanto pode parecer. Primeiramente, a água é captada em cisternas. Depois, passa para uma estação de tratamento que, por osmose reversa, a purifica e a torna estéril. A água tratada vai para o lavatório e, após ser utilizada, é direcionada para outra estação de tratamento. De lá, ela volta a ser utilizada - desta vez, nos banheiros ou para regar plantas. Apenas após este reuso que ela será descartada. Com esse sistema, dá para reduzir o consumo da rede da concessionária entre 45 a 55%.

Repensar as fontes de energia também surge como algo fundamental. Entre as alternativas para um salão, está o uso de energia solar - por meio de um sistema fotovoltaico ela pode ser captada e, quando não utilizada, retorna para a concessionária, o que gera crédito para consumo futuro. Outra tecnologia disponível chama-se “tuboluz” - placas de alumínio revestidas de prata que conduzem a luz do dia para o interior do ambiente, filtram os raios “UV” e evitam a entrada de calor no espaço. Tudo sem utilização de nenhuma fonte auxiliar de energia.

A partir daí nota-se que, sim, é possível se tornar uma empresa que se utiliza de recursos eco-amigáveis em seus 

processos independentemente de seu porte ou segmento. A pergunta que fica é: por que não seria possível para você? Convido a todos que pensem e repensem. No fundo, o que pode ser feito começa com o primeiro e pequeno passo, que pode ser o da coleta seletiva por exemplo. Pouco a pouco, isso se torna um vício e a busca por ampliar as soluções serão parte das metas.