Barbara Fialho canta para mim

Michelli Provensi - O Estado de S.Paulo

As modelos agora soltam a voz e quebram o silêncio das passarelas e dos backstages

"Barbara Fialho, 28, conta que há 5 anos estava em Los Angeles, puxou um violão, falou de sua paixão por bossa nova"

"Barbara Fialho, 28, conta que há 5 anos estava em Los Angeles, puxou um violão, falou de sua paixão por bossa nova" Foto: Reprodução

'Coloca um gingado ai… qualquer blá blá blá brasileiro, que dê para imaginar na frase uma mulata sambando ou um francês sorrindo e dizendo: isso aí é bossa nova!' A frase é de Alina, modelo ucraniana, que falava em tom de amor sobre a música brasileira em Paris, com uma Bento Box encaixada nas pernas, esticando a panturrilha para o almoço não cair no chão. Entre um backstage e outro, Alina se debruçava no seu violão compondo com grunhidos melodias que depois pedia para as colegas de nacionalidade latina preencherem com poesia. Ela, claro, não entendia nada do que escrevíamos, mas dizia que sentia tudo. 

Meu discurso vem num looping já há algum tempo, desde que as modelos transcendem cada vez mais do "apenas um rostinho bonito e seus para lá de 1,77m". A imersão do fashion film em nosso contexto de publicidade trouxe tiros certeiros e surpreendentes: a prova é Gisele - moça que nem precisamos mais atribuir sobrenome -  cantando os covers do Kinks e da Blondie para a gigante H&M. Fora ter que soltar o gogó para filmes publicitários do novo giro do bussines da moda, de tempos em tempos surgem das passarelas verdadeiros talentos, mulheres que passam a barreira do silêncio. 

Carla Bruni Sarkozy, suponho que aprendeu bem com o ex Eric Clapton. A doce voz conquistou até trilhas populares de novela. Kate Moss, no maior estilo rock and roll, aproveitou para abocanhar um sonho antigo de cantar e gravou junto com o então namorado, Peter Doherty, a canção La Belle et le Bête, na então banda do moço, Babyshambles. A lista continua a ganhar força com as inglesas Cara Delevigne e Naomi Campbell. A moça que aqui escreve também está nessa turma ao gravar um rap para divulgar seu livro.

Tudo acima foi bonito, mas é passado. A boa surpresa do ano vem de Minas Gerais. Barbara Fialho, 28, conta que há 5 anos estava em Los Angeles com o amigo e produtor musical Damon Martin, da Arts District Record, puxou um violão, falou de sua paixão por bossa nova e tocou algumas de suas preferidas. Desta conversa surgiu a ideia de gravar um disco. Daí foram 3 anos trabalhando na seleção musical e nos arranjos, o objetivo era fazer uma releitura de bossa e samba com uma perspectiva e influência de jazz, funk e afro cuban sound. 

Devagarinho a mineira juntou um time de músicos de primeira, como Phil Wright nos arranjos e piano. Nada disso seria possível se o avô João Fialho não tivesse dado pra Barbara, aos 9 anos, um violão. Foi ele que ensinou e plantou a semente de Tom Jobim, Cartola, Gal Costa, Ary Barroso, João Gilberto, entre outros que brilham nas referências da morena.

Barbara não tem data certa para lançar seu primeiro álbum, a moça está ficando cada vez mais bonita e o lado manequim está longe de ser aposentado. Enquanto não dá para baixar o disco no itunes, no youtube tem sua faceta de anjo na Victoria's Secret. 

Alina, Kate, Gisele, Carla, Cara, um beijo pra vocês que quebraram o silêncio. Barbara, canta!