Às vezes sonhos não são nada doces

Armin Brott - Tribune News Service - O Estado de S.Paulo

'Mr. Dad' dá dicas para lidar com os pesadelos recorrentes dos filhos

Foto: Pixabay

Minha filha de seis anos tem pesadelos algumas noites toda a semana. Conversamos com o pediatra, mas ele disse que pesadelos são normais na idade dela. O médico pode não estar preocupado, mas minha mulher e eu estamos. Como podemos ajudar nossa filha?

Mr. Dad: Seu médico está certo. Pesadelos são normais e afetam 10% a 50% das crianças de seis anos e menos. Mas sei que não é fácil quando a criança acorda gritando no meio da noite. Antes de conversarmos sobre como ajudar sua filha, você precisa saber exatamente o que vem ocorrendo. Ela está tendo pesadelos ou terror noturno? Parece similar, mas na versão são coisas muito diferentes.

Os pesadelos no geral ocorrem na última metade do sono - às duas horas da manhã ou mais tarde. Sua filha vai acordar com a nítida lembrança de um sonho que a apavorou, conseguirá falar sobre ele e terá medo de voltar a dormir. Não sabemos claramente o que provoca o pesadelo, mas com frequência está associado a alguma coisa que a criança viu ou com que está preocupada.

Terrores noturnos, contudo, costumam ocorrer nas primeiras horas do sono. A criança se debate, chuta, geme ou grita durante 10 a 30 minutos. Seus olhos ficam esbugalhados, mas ela basicamente está inconsciente. A boa notícia é que voltará a dormir e não irá se lembrar do incidente. A má notícia é que terrores noturnos são realmente apavorantes e pouca coisa podemos fazer neste caso.

Eis aqui alguns conselhos que podem ajudar:

Certifique-se de que conseguirá ouvi-la se ela gritar durante a noite. Se precisar, arranje um desses aparelhos para monitorar o sono das crianças.

Fique calmo. Realmente. Se agir apavorado estará dizendo a ela que existe de fato alguma coisa assustadora.

Tranquilize a criança falando calmamente, com voz relaxada; assim ela voltará a dormir. 

Fique ao lado da sua filha até ela se acalmar. Ler uma história é um meio excelente para tranquilizá-la.

Converse sobre o pesadelo, mas só se sua filha estiver disposta a isto. Se ela se lembrar dos sonhos na manhã seguinte procure encorajá-la a falar sobre os momentos apavorantes do sonho e formular um final feliz. Mas se ela não quiser discutir o assunto, não insista.

Investigue - cuidadosamente. Estudo recente concluiu que 36% das crianças que têm pesadelos são vítimas de bullying. Há alguma coisa estressante se passando na vida dela? (Mudança para uma nova casa ou os pais estão brigando muito?

O que não fazer:

Se ela está tendo um terror noturno, não tente acordá-la. Segure-a, se ela deixar, e fique com ela até que volte a dormir. 

Não deixe que ela vá dormir com você, especialmente depois de um pesadelo. A mente da criança trabalha de maneiras estranhas e ela pode acabar achando que tem medo da própria cama. E pode ser criado um hábito difícil de abolir.

Não a ridicularize e nem critique, tampouco diga que pesadelos não são reais. Para ela eles são muito reais e qualificá-los como algo trivial só irá assustá-la ainda mais. Em vez disto diga a ela que todos nós temos pesadelos e que são normais. 

Embora pesadelos estejam associados ao estresse emocional, eles - e os terrores noturnos - com frequência são eventos aleatórios. O consolo e o apoio da sua parte normalmente bastam para ajudar sua filha a vencer o problema. Mas se pesadelos ou terrores noturnos afetarem a capacidade dela de agir durante as horas em que está desperta, se suspeitar que estão causando problemas de saúde, consulte o médico imediatamente. /TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO