"As marcas de luxo devem respeitar seus consumidores e tratá-los como bilionários"

Jorge Grimberg - O Estado de S.Paulo

CEO da Bulgari fala com exclusividade para O Estado de S. Paulo

Jean-Christophe Babin, CEO da Bulgari

Jean-Christophe Babin, CEO da Bulgari Foto: Divulgação

Jean-Christophe Babin é um cidadão do mundo. O francês com descendência italiana é hoje CEO de uma das marcas de maior prestígio do luxo. A joalheria romana, que em 2014 completou 130 anos, simboliza todos os excessos de Roma, cidade que já foi centro do globo. Para comemorar a data, a Bulgari está restaurando seu histórico endereço na Via dei Condotti e, como presente para a cidade, irá restaurar a famosa escadaria da Praça Espanha. 

Babin conversou com exclusividade com o Estadão para contar um pouco mais sobre o mercado de luxo e os desafios de seu cargo. 

Conte-me sobre seu background. Qual é a sua história?

Nasci na França, sou franco-italiano, casado, pai de 5 filhos, feliz vivendo em Roma. Eu me formei na escola de administração, comecei minha carreira em bens de consumo na Procter & Gamble, fiz alguma consulta na BCG, e entrei no Grupo LVMH há 12 anos. Eu dirigi a Tag Heuer durante 11 anos e fui transferido para a alta joalheira romana, Bulgari, há um ano.

O que mudou no mercado de luxo desde que você começou?

Graças à internet, os consumidores estão muito mais informados sobre marcas e produtos. Eles exigem autenticidade, coerência e integridade. Eles olham para o valor, seja material, intrínseco ao produto, ou imaterial, a história e aos valores que a marca de luxo carrega.

O que é uma experiência de verdadeiro luxo para você?

Estou tão ocupado que o meu maior luxo é para passar o tempo livre com a minha família. Mas se falamos de experiências, relaxar em um spa Bulgari Hotel é, sem dúvida, um luxo extraordinário. Como um colecionador de relógios, é também sempre muito emocionante ser o primeiro a testar as futuras obras-primas da Bulgari.

Quais são as marcas que fazem o certo e o errado para se comunicar com esse novo público?

Eu prefiro focar no que fazemos certo: as marcas de luxo devem respeitar seus consumidores, quem quer que eles sejam, da maneira que eles aparentem, sem qualquer consideração, e tratá-los todos como bilionários. Tenha em mente que uma compra de luxo é muitas vezes uma experiência emocional combinada com um investimento financeiro para realizar um sonho.

A fachada da loja da Via dei Condotti em 1920

A fachada da loja da Via dei Condotti em 1920 Foto: Arquivo histórico da Bulgari

Qual é a importância da herança no mercado de luxo? Como você explora isso na Bulgari?

Herança é a evidência viva da atemporalidade do que vendemos hoje. É uma garantia de autenticidade e qualidade artesanal dos produtos de luxo que você compra. Também te leva a fazer parte de uma história comum: uma família de pessoas ilustres que têm usado a mesma marca que você usa, e, no caso da Bulgari, criaram um estilo de vida em torno de joias preciosas e relógios.

Como você mantém a marca relevante em um mercado que está cada vez mais pulverizado?

A competição é sempre uma motivação para superar a si mesmo, para nutrir herança e criação, para elaborar produtos icônicos, com qualidade inquestionável, e certificar-se de que oferecemos aos nossos clientes o melhor que o dinheiro pode comprar.  

Jean-Christophe com Carla Bruni, rosto global da marca em Cannes

Jean-Christophe com Carla Bruni, rosto global da marca em Cannes Foto: Arquivo histórico da Bulgari