As lojas de gênero neutro são o futuro?

Camila Salek - O Estado de S.Paulo

Lojas sem distinção entre feminino e masculino apontam para nova tendência no varejo

Roupas envelopadas na Selfridges, em Londres: o gênero não importa

Roupas envelopadas na Selfridges, em Londres: o gênero não importa Foto: Divulgação

"Agender" ou sem gênero é uma expressão que vem provocando burburinho na moda. Depois do sucesso das coleções unissex apresentadas em desfiles de grandes marcas de luxo e de campanhas estreladas por casais que se vestem em mesmas araras nas butiques, começam a despontar exemplos de lojas de gênero neutro, que conseguem se adaptar ao novo formato de consumo e às diferentes realidades do mercado.

 

Sucesso em outras categorias de produto, a abordagem unissex aponta um novo caminho para o varejo de moda. No primeiro trimestre deste ano, a loja de departamentos inglesa Selfridges criou um ambiente "agender", em formato pop up e assinada por Faye Toogood, em que o cliente - homem ou mulher - tinha a liberdade de escolher entre diversos itens, inclusive de vestuário e beleza. Como em uma tela em branco, a Agender apresentou suas coleções unissex envelopadas em capas brancas e com a descrição da peça feita à mão. 

Flagship store Viktor & Rolf em Paris com “pano de fundo” neutro, incomum no segmento de moda

Flagship store Viktor & Rolf em Paris com “pano de fundo” neutro, incomum no segmento de moda Foto: Divulgação

Segundo o próprio Toogood, "ao não promover marca, diferenças de gênero e detalhes de merchandising, permitimos que as roupas falem por si mesmas". Trata-se de uma mudança significativa na maneira como consumimos já que o varejo de moda floresce através da venda de renovações constantes em coleções femininas e masculinas.

O fato é que existe, sim, uma mudança de comportamento pairando no mercado. Muitas pessoas não se encaixam em rótulos previamente definidos pela sociedade e nós, profissionais de design, precisamos estar atentos a esse movimento. Tenho observado novos conceitos de design aplicados ao varejo e percebo, cada vez mais, que a neutralidade é uma grande aposta, por permitir infinitas oportunidades de interpretação e reinvenção. 

Flagship store Viktor & Rolf, em Paris

Flagship store Viktor & Rolf, em Paris Foto: Divulgação

 

Será que lojas neutras representam o futuro? O tempo irá dizer. Até lá, devemos ficar atentos a este formato de loja mais fluida, sem separação entre masculino e feminino, que oferece ao consumidor a liberdade de transitar facilmente entre gêneros e coleções.