Angelina, casamento e afins

Michelli Provensi - O Estado de S.Paulo

Independente desde os 16 anos, se viu encantada com a possibilidade de uma vida com um bambolê de ouro cravado no anelar esquerdo

Angelina Jolie e o véu feito com desenhos dos filhos: amor maduro

Angelina Jolie e o véu feito com desenhos dos filhos: amor maduro Foto: Reprodução Revista People

Sempre pensei que o mundo sofria de duas forças malignas: o casamento e a má digestão. Nada contra quem passou pelo corredor nupcial, já fui a lindas cerimônias de molhar o lenço para toda vida.

Do meu lado, sentia uma resistência passiva em entender a razão de tão rapidamente jurar amor eterno e juntar trapos e porcelanas.

Uma briga interna dentro de mim emergiu com a passagem do retorno de saturno. A corredora de mundo, independente desde os 16 anos, acostumada a pedir “wine for one, please”, se viu encantada com a possibilidade de uma vida com um bambolê de ouro cravado no anelar esquerdo. 

Sei que o mês de maio é passado, e este texto é pequeno por demais para falar de amor, mas devido a inúmeros convites que recebi para celebrar o matrimônio alheio, eu, que sou livre como um taxi, vou expressar minha visão sobre noivas e casamento.

O que me encanta é que, nos últimos tempos, tenho ido a muitos casamentos de juntados. Casais amigos que depois de uma década, ou quase lá, resolveram assinar o papel e chamar a benção. Sinto uma alegria eterna ao ver os filhos dos noivos correndo pelo casório e interagindo com a preparação da cerimônia.

Na chuva de benção a longo prazo, apareceram Brad Pitt e Angelina Jolie. O casal-mor de Hollywood, juntados depois de 9 anos, 6 filhos, algumas indicações ao Oscar e missões humanitárias pelo globo, honraram o famoso “I do”  em uma celebração íntima para 20 pessoas em que os filhos se dividiram nas tarefas de acompanhar a noiva ao altar e fazer o bolo. 

A coisa foi pequena, mas seu vestido era um charmoso Atelier Versace. Nada excêntrico da parte dela, já que o estilista da grife, Luigi Massi, é como se fosse parte da família. Tipo você e eu fazermos nosso vestido de casamento com a costureira amiga do bairro de infância.

Um enlace tão intimista e, ao mesmo tempo, o mais compartilhado deste nosso 2014. Eu mesma não aguentei de curiosidade. Entre milhões, fui mais uma a dar audiência para a revista People. Precisava ver o que de “jolie” tinha o vestido do grande dia de Angelina.

De tanto ler e reler a palavra noiva, me lembrei do  meu santo Antônio que em algum lugar da casa rogava de cabeça para baixo, e de seu fiel devoto, que costura medalha do santinho na veste marrom nos vestidos: liguei para ele, o estilista Rodrigo Rosner, para fofocar sobre o vestido de Angelina

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Michelli Provensi num casamento de uma amiga: amor em pauta

Parênteses: recentemente, aconteceu o Bridal Style em São Paulo, o fashion week das noivas, entre os célebres estilistas convidados, meu amigo e amigo do santo: Rodrigo Rosner.

Questionei se alguém do evento tinha comentado a escolha de Angelina, me referindo ao véu bordado com desenhos feitos pelos filhos do casal Pitt-Jolie. “Não ouvi ninguém falar sobre ele, mas eu adoro colocar algo da historia da noiva no vestido, achei incrível aquele véu.”  

Rosner contou que ninguém quer mais usar o vestido que foi da mãe, mas uma parte da estrutura ele acha legal reutilizar. “Já usei renda do vestido da mãe no da filha e fiz bordados com motivos de  porcelana típica búlgara para noiva com descendência búlgara…” 

Lembrei de nossa descendente búlgara mais famosa, a presidente Dilma Rousseff, mas não consegui imaginá-la em tal traje branco.  

Enfim, aproveitei para adentrar as tendências nupciais. Rosner vibrou ao contar que decretaram o fim do reinado do tomara-que-caia com saia evasê. Mas a saia anos 80 voltou, estilo Lady Di, com muito volume e renda, muita renda, véus gigantes com mais renda, uma certa releitura das mantilhas antigas. Tons de bege e marfim estão ensaiando sua volta, e eu ensaiando minha cabeça para o papo da mulher moderna aceitar um dia as palavras casamento e marido.